Empresas japonesas mantêm otimismo cauteloso para a economia em 2026
Pesquisa aponta que 70% das grandes empresas preveem crescimento, mas inflação e tarifas dos EUA pesam contra aumento de salários e consumo
Um levantamento realizado com as principais empresas do Japão revelou que 70% delas acreditam que a economia doméstica crescerá em 2026. O otimismo é alimentado principalmente pelas expectativas de recuperação do consumo e pelos impactos positivos dos aumentos salariais. No entanto, esse cenário favorável é parcialmente contrabalançado pela persistência dos preços altos e pela política agressiva de tarifas comerciais dos Estados Unidos.
Do total de 114 empresas pesquisadas, 80 preveem uma expansão “lenta” da economia para o próximo ano. As razões mais citadas para essa confiança foram a esperada recuperação dos gastos dos consumidores, mencionada por 71% das empresas, e os efeitos benéficos dos aumentos salariais, apontados por 69%. Enquanto isso, 29 empresas (25% do total) esperam que a economia se mantenha estável, e apenas uma projeta uma leve retração.
Do lado das preocupações, os altos preços foram citados como um fator negativo por 67% das empresas consultadas. A política de tarifas elevadas implementada pelo governo dos Estados Unidos também é vista como um peso, sendo mencionada por 27% dos respondentes. Apesar de uma revisão para baixo nas alíquotas para produtos como automóveis após negociações, as taxas permanecem altas, levando um quarto das empresas, especialmente do setor industrial, a pedir mais esforços diplomáticos ao governo japonês.
Esse sentimento empresarial vem melhorando gradualmente. Pesquisas oficiais recentes já apontavam que o índice de confiança entre grandes empresas havia fechado o último trimestre de 2025 em território positivo pelo segundo período consecutivo, com avanços tanto na indústria quanto nos serviços.
O cenário econômico para 2026 se desenha em um contexto de normalização da política monetária. Em dezembro, o Banco do Japão elevou sua taxa de juros de referência para 0,75%, o patamar mais alto em três décadas, sinalizando o fim da era de custos de financiamento ultrabaixos. A autoridade monetária justificou a medida citando a inflação persistente e uma diminuição na incerteza relacionada às tarifas americanas, além de indicar expectativa de um crescimento salarial estável no próximo ano.
As projeções para a inflação no ano fiscal de 2025, que termina em março de 2026, são de 2,7%, com uma queda para 2,0% nos dois anos seguintes. As negociações salariais iniciais para 2026 indicam aumentos médios próximos de 5%, o que deve sustentar o consumo doméstico. O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, que assumiu em outubro, declarou apoio à atuação do banco central e priorizou medidas para aliviar o custo de vida.
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