Pesquisas com milhares de idosos no Japão ligam saúde dos dentes a risco de morte e dependência.

Saúde bucal dos idosos é indicador crucial de mortalidade, revelam estudos japoneses

Pesquisas com quase 200 mil pessoas mostram que número e condição dos dentes estão diretamente ligados ao risco de morte e necessidade de cuidados de longa duração

Dois grandes estudos conduzidos por universidades japonesas trouxeram evidências robustas de que a saúde bucal é um forte preditor de longevidade e independência na terceira idade. Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka e do Instituto de Ciência de Tóquio descobriram que idosos com problemas dentários enfrentam riscos significativamente maiores de mortalidade e de necessitar de cuidados especiais.

O estudo da Universidade Metropolitana de Osaka, que analisou dados de 190.282 residentes da província de Osaka com 75 anos ou mais, revelou que idosos sem nenhum dente restante tinham um risco de mortalidade por todas as causas aproximadamente 1,7 vezes maior do que aqueles com 21 ou mais dentes. A pesquisa, publicada na revista científica BMC Oral Health, mostrou ainda que ter muitos dentes saudáveis ou devidamente tratados está associado a uma menor taxa de mortalidade, enquanto a presença de cáries não tratadas eleva o risco.

Os pesquisadores destacaram um método de avaliação particularmente eficaz: contar apenas os dentes saudáveis e os que receberam tratamento adequado, excluindo os danificados e não tratados. Essa forma de contagem se mostrou a mais precisa para prever o risco geral de morte na população idosa estudada.

Em paralelo, um estudo do Instituto de Ciência de Tóquio, que acompanhou cerca de 11 mil idosos por seis anos, focou no conceito de “fragilidade oral”. Esta condição, caracterizada por sintomas como ter poucos dentes, dificuldade para mastigar, engolir ou sentir a boca seca, mostrou-se um sério fator de risco. Idosos com fragilidade oral tiveram uma expectativa de vida saudável aproximadamente 1,5 anos mais curta a partir dos 65 anos, além de um risco 23% maior de necessitar de cuidados de longa duração e 34% maior de mortalidade.

Os especialistas explicam que a saúde bucal deficiente pode desencadear uma cascata de problemas. Dificuldades para mastigar levam a uma pior nutrição e perda de peso. A inflamação crônica de doenças como a periodontite pode afetar todo o organismo. Além disso, problemas dentários podem levar ao isolamento social, reduzindo as saídas de casa e as interações, fatores que também impactam a saúde geral.

As descobertas reforçam a importância das campanhas de saúde pública japonesas, como a iniciativa “8020”, que incentiva as pessoas a manterem pelo menos 20 dentes próprios aos 80 anos. Os pesquisadores de ambas as instituições concordam que a lição prática é clara: check-ups dentários regulares e o tratamento precoce de problemas não são apenas uma questão de saúde bucal, mas investimentos cruciais para uma vida longa, saudável e independente.

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