Japão estabelece meta para cortar 25% do desperdício de roupas até 2030
Governo lança plano de ação para promover a “moda circular” e combater o impacto ambiental da indústria têxtil
O governo japonês definiu uma meta ousada para reduzir o desperdício de roupas no país em 25% até o ano fiscal de 2030, em comparação com os níveis de uma década antes. A iniciativa faz parte de um novo plano de ação que visa combater o significativo impacto ambiental causado pela produção de vestuário, um setor conhecido por suas elevadas emissões de dióxido de carbono.
A estratégia, que deve ser finalizada até março, surge em resposta a um problema global. O setor da moda gera aproximadamente 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis anualmente, contribuindo de forma expressiva para a poluição ambiental e sendo responsável por cerca de 10% das emissões globais de carbono.
Os números no Japão ilustram a dimensão do desafio. Um relatório do Ministério do Meio Ambiente estima que, em 2024, foram fornecidas cerca de 820 mil toneladas de novas roupas no país, a maioria importada. Os processos de tingimento e transporte dessas peças consumiram aproximadamente 8,38 bilhões de metros cúbicos de água e emitiram 95 milhões de toneladas de CO2. Com opções limitadas de venda para brechós e reciclagem, cerca de 560 mil toneladas de roupas foram incineradas ou enviadas para aterros no mesmo ano, sendo 90% desse volume originado diretamente dos lares.
Para promover uma “moda circular” ambientalmente amigável, o plano em elaboração estabelecerá cinco iniciativas principais. Entre elas estão o fortalecimento dos sistemas de coleta de roupas usadas, a expansão da reutilização e a extensão da vida útil dos produtos. O plano também definirá medidas específicas para governos centrais e locais, empresas e famílias.
Os municípios serão incentivados a melhorar as taxas de coleta e a tornar as roupas de segunda mão mais acessíveis aos cidadãos que necessitam. Paralelamente, as empresas do setor de vestuário serão orientadas a projetar produtos que sejam mais fáceis de reparar ou reutilizar. As famílias, por sua vez, serão convocadas a reciclar suas roupas e a escolher produtos ecologicamente corretos.
Este movimento se alinha a uma mudança cultural e de mercado mais ampla. A transição para uma economia circular na moda não é vista apenas como uma necessidade ambiental, mas também como uma estratégia de negócios. Modelos como aluguel por assinatura (PaaS), revenda oficial de produtos usados pelas próprias marcas e serviços de reparo especializado estão ganhando espaço, impulsionados tanto pela consciência do consumidor quanto por novas oportunidades econômicas.
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