Eleições no Japão: partidos apresentam promessas de corte de impostos e gastos
Em disputa marcada para 8 de fevereiro, coalizão governista e recém-formada aliança de oposição oferecem caminhos distintos para economia e segurança
A campanha oficial para as eleições da Câmara dos Representantes do Japão, marcadas para 8 de fevereiro, teve início nesta terça-feira em todo o país. A primeira-ministra Sanae Takaichi, que assumiu o cargo em outubro passado, busca a reeleição para dar continuidade às suas políticas, enquanto uma nova e poderosa aliança de oposição desafia seu governo. Mais de 1.270 candidatos disputarão as 465 cadeiras da câmara baixa do Parlamento.
Takaichi, do Partido Liberal Democrata (PLD), dissolveu a câmara e convocou a eleição antecipada em uma jogada política para capitalizar sua relativamente alta taxa de aprovação e buscar um mandato popular para suas principais propostas. Seu partido governa em coalizão com o Partido da Inovação do Japão (Ishin), após o fim de uma parceria de 26 anos com o partido Komeito. O bloco governista pretende garantir a maioria de pelo menos 233 cadeiras.
Do outro lado, formou-se uma força de oposição unificada para enfrentar o campo conservador. O Partido Democrático Constitucional do Japão e o Komeito se fundiram na Aliança Reformista Centrista, que se tornou a maior força de oposição no Parlamento. A eleição será um plebiscito sobre as políticas da primeira-ministra e o futuro direção do país.
As promessas em disputa
O PLD apresentou um plano baseado em cinco pilares principais, que incluem a criação de um “orçamento responsável, mas agressivo”. Uma das promessas centrais é suspender por dois anos o imposto sobre consumo de 8% aplicado a produtos alimentícios, uma medida direcionada ao eleitorado preocupado com a inflação prolongada. O partido também promete investimentos massivos em 17 áreas estratégicas, como inteligência artificial, semicondutores e biotecnologia, além de garantir o fornecimento de minerais raros essenciais para a indústria.
Na área de segurança, o partido defende o fortalecimento das capacidades de defesa do país e uma diplomacia firme, especialmente em relação à China. A proposta de emendar a constituição para mencionar explicitamente as Forças de Autodefesa também está na agenda, assim como a revisão das regras sobre aquisição de terras e imóveis por estrangeiros.
A Aliança Reformista Centrista, principal força de oposição, apresentou propostas contrastantes. Seu carro-chefe é a implementação de uma taxa zero permanente para o imposto sobre consumo de alimentos, que prometem colocar em prática a partir do próximo outono. A aliança também propõe auxílio para o pagamento de aluguel para jovens e estudantes, e aceita, sob condições, a reativação de usinas nucleares.
Outros partidos apresentaram promessas variadas. O Partido Comunista Japonês defende a redução imediata do imposto sobre consumo para 5%. O Reiwa Shinsengumi promete a abolição total do tributo e um pagamento único de 100.000 ienes para todos os cidadãos. Já o Partido Conservador do Japão apoia a taxa zero permanente para alimentos e uma regulamentação mais rígida das políticas para estrangeiros.
Contexto político e desafios
A decisão de Takaichi de convocar uma eleição antecipada em fevereiro, um mês tipicamente marcado por exames universitários e fortes nevascas em algumas regiões, foi criticada por atrasar a aprovação do orçamento nacional para o ano fiscal que começa em abril. A primeira-ministra, no entanto, defende a necessidade de obter um mandato claro do eleitorado para realizar “mudanças políticas importantes no cerne do Estado”.
Seu governo, embora popular, é instável. A coalizão PLD-Ishin permanece em minoria na Câmara dos Conselheiros, a câmara alta, sendo obrigada a negociar com partidos da oposição para aprovar projetos de lei. A eleição testará o apetite do eleitorado por maiores gastos governamentais em um momento de preocupação com o custo de vida. Pesquisas indicam que os preços são a principal preocupação para 45% dos eleitores, seguida por diplomacia e segurança nacional.
O sistema eleitoral japonês permite que cada eleitor vote duas vezes: uma em um distrito uninominal para escolher um candidato específico, e outra por representação proporcional para selecionar um partido. Existem 289 distritos eleitorais, e os 176 assentos restantes são distribuídos por 11 blocos de representação proporcional.
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