PLD fecha pacto fiscal com Partido Democrático do Povo para 2026, assegurando maioria para votação do orçamento.

Acordo tributário com oposição facilita orçamento de Takaichi no Japão

Pacto fiscal assegura apoio para votação do orçamento de 2026, mas revela complexo jogo de alianças da premiê

O governo da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi garantiu um caminho mais tranquilo para a aprovação do orçamento do próximo ano após fechar um acordo de reforma tributária com o Partido Democrático do Povo (PDP), um partido de oposição. O pacto, firmado em 18 de dezembro, prevê o aumento do limite de isenção do imposto de renda e a extinção de uma taxa ambiental sobre automóveis, em uma manobra que assegura os votos necessários para a votação do orçamento de 2026 no Parlamento.

O acordo foi selado em uma reunião entre a primeira-ministra, que também é presidente do Partido Liberal Democrata (PLD), e o líder do PDP, Yuichiro Tamaki. Os partidos comprometeram-se a “aprovar o projeto de lei de reforma tributária para o ano fiscal de 2026 e o orçamento correspondente no início deste ano fiscal”. Takaichi afirmou que a decisão foi tomada com o objetivo de “realizar um ciclo virtuoso no qual a renda aumenta, o sentimento do consumidor melhora e os lucros das empresas sobem”.

Conforme o pacto, o chamado “limite de isenção” do imposto de renda, que combina a dedução básica e a dedução de renda do trabalho, será elevado de 1,6 milhão para 1,78 milhão de ienes no próximo ano. O aumento reflete a inflação e, como medida temporária válida até 2027, se estenderá para contribuintes com renda anual de até 6,65 milhões de ienes, abrangendo cerca de 80% dos assalariados do país. Paralelamente, a taxa de desempenho ambiental incidente sobre a compra de veículos, que variava de 0% a 3% do preço, será abolida permanentemente.

O acordo com o PDP é fundamental para a governabilidade de Takaichi. Embora ela tenha formado uma coalizão de governo com o Partido da Inovação do Japão (Ishin), essa aliança garante à base governista 231 assentos na Câmara Baixa, apenas dois a menos da maioria absoluta de 233. Na Câmara Alta, a coalizão ainda é minoritária. Por isso, o apoio pontual do PDP, que possui 27 cadeiras na câmara baixa, é estratégico para a aprovação de leis e do orçamento.

O custo fiscal das medidas é estimado em 650 bilhões de ienes, e o acordo não especifica uma fonte de receita para compensar essa perda, tratando a expansão para a classe média como uma medida temporária. A primeira-ministra, que mantém um nível de aprovação estável em torno de 75%, enfrenta o desafio de equilibrar as demandas de seus diferentes parceiros políticos. O Partido da Inovação, por exemplo, defende políticas como a criação de uma “capital secundária” em Osaka e restrições à imigração.

Esse cenário político complexo sucede o rompimento, após 26 anos, da histórica coalizão entre o PLD e o partido Komeito, que mergulhou a política japonesa em um período de incerteza no final do ano passado. A habilidade de Takaichi em costurar acordos com partidos de diferentes espectros, como o Ishin e agora o PDP, tem sido crucial para sua estabilidade no poder.

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