PLD volta a vencer: o que mudou na preferência do eleitor japonês?
Passados apenas 16 meses da derrota que tirou o partido do poder, nova eleição mostra recuperação da sigla
Em outubro de 2024, o Partido Liberal Democrata (PLD) e seu então parceiro de coalizão, o Komeito, sofreram uma derrota esmagadora na eleição para a Câmara dos Representantes do Japão. O resultado surpreendeu analistas e marcou uma rara interrupção no domínio quase contínuo do PLD desde 1955. No entanto, menos de um ano e meio depois, os mesmos partidos voltaram a vencer uma nova eleição para a câmara baixa, realizada neste ano. O que explica essa rápida recuperação?
Especialistas apontam uma combinação de fatores, começando pelo desempenho frustrante da oposição. Os partidos que assumiram o governo em 2024 enfrentaram dificuldades para formar maiorias estáveis e implementar promessas de campanha, como reformas econômicas e políticas de transparência. A fragmentação do espectro político e disputas internas entre as siglas de oposição impediram avanços concretos, gerando desilusão entre os eleitores.
Além disso, o cenário internacional conturbado e a pressão sobre a economia japonesa fizeram muitos cidadãos valorizarem a experiência e a estabilidade associadas ao PLD. A sigla, que governou o país por décadas, capitalizou o discurso de segurança econômica e firmeza nas relações exteriores, especialmente diante das tensões na região do Indo-Pacífico. A campanha do partido focou em promessas de continuidade de políticas de defesa e crescimento, contrastando com a imagem de instabilidade deixada pela coalizão de oposição.
Outro ponto crucial foi a reorganização interna do PLD. Após a derrota de 2024, o partido promoveu reformas e renovou sua liderança, apresentando rostos menos associados a escândalos anteriores. A nova direção conseguiu reestabelecer pontes com setores empresariais e eleitores mais conservadores, que viram na sigla a garantia de manutenção da ordem social e do desenvolvimento.
O Komeito, por sua vez, manteve sua base fiel de eleitores ligada ao movimento budista Soka Gakkai, garantindo os votos necessários para a coalizão. Juntos, PLD e Komeito surfaram na onda de descontentamento com a gestão anterior e na percepção de que, apesar dos problemas, o antigo governo oferecia mais previsibilidade.
O resultado, portanto, não reflete necessariamente um entusiasmo renovado pelo PLD, mas sim uma rejeição à alternativa apresentada. A eleição deste ano mostrou que o eleitorado japonês, diante da insatisfação com a oposição, optou por retornar à sigla que dominou a política do país por tanto tempo. Resta saber se o novo governo conseguirá traduzir essa confiança em políticas efetivas e duradouras.
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