Powell confronta Trump e denuncia investigação criminal como ameaça à independência do Fed
Chairman do banco central americano acusa administração de usar o Departamento de Justiça para forçar cortes nas taxas de juros
Em um confronto institucional sem precedentes, o chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, declarou publicamente que uma investigação criminal aberta contra ele pelo Departamento de Justiça dos EUA é, na realidade, uma forma de pressão política para forçar o banco central a cortar as taxas de juros conforme a vontade do presidente Donald Trump. A acusação foi feita em um vídeo divulgado no domingo à noite, onde Powell caracterizou a ação como uma ameaça direta à independência do Fed.
A investigação, conduzida por promotores federais, tem como foco o testemunho de Powell per o Congresso em junho do ano passado sobre a reforma de 2,5 bilhões de dólares da sede do Fed em Washington. No entanto, Powell foi direto ao ligar o processo às constantes críticas de Trump sobre a política monetária. O presidente tem pressionado publicamente por cortes de juros mais agressivos, chegando a sugerir que a taxa básica, atualmente entre 3,5% e 3,75%, deveria cair para cerca de 1%.
Um ano de pressões e insultos culminam em investigação
O conflito entre Trump e Powell é de longa data, mas atingiu um novo patamar nos últimos meses. O presidente e seus aliados têm criticado repetidamente o chairman por não reduzir os juros no ritmo desejado, com uma campanha que incluiu uma série de insultos pessoais e até ameaças de demissão. A tensão ficou evidente publicamente em julho, durante uma visita de Trump às obras da sede do Fed, quando Powell corrigiu o presidente sobre o custo do projeto na frente de repórteres.
Trump já havia ameaçado processar Powell por “incompetência” relacionada à reforma. Agora, a abertura de uma investigação criminal é vista por analistas como uma escalada dramática. Jason Furman, ex-assessor econômico do presidente Barack Obama, destacou a raridade e a força da declaração pública de Powell.
Independência do Fed e reações no Congresso em jogo
A reação no Congresso foi rápida e cortou as linhas partidárias. O senador republicano Thom Tillis anunciou que se oporá à confirmação de qualquer nomeado por Trump para o Fed, incluindo o próximo chairman, até que “esta questão legal seja totalmente resolvida”. Líderes democratas, como a senadora Elizabeth Warren e o senador Chuck Schumer, também condenaram a investigação, classificando-a como um ataque à independência do banco central.
A nomeação do sucessor de Powell, cujo mandato como chairman termina em maio, agora está envolta em incerteza. Trump tem considerado nomes como Kevin Hassett, Kevin Warsh e Rick Rieder para o cargo. No entanto, analistas apontam que Powell, cujo mandato como governador do Fed vai até 2028, pode permanecer no Comitê de Mercado Aberto (FOMC) mesmo após maio, complicando os planos da administração.
Mercados em alerta sobre o futuro da política monetária
Enquanto isso, a política monetária segue seu curso. Autoridades do Fed, como o presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmaram que a política atual está bem posicionada e que não veem necessidade urgente de novos cortes de juros no curto prazo. Perspectivas econômicas para 2026 permanecem relativamente otimistas, com crescimento projetado entre 2,5% e 2,75%.
Instituições financeiras como o JP Morgan alertam que, devido a um cenário de crescimento e inflação persistentes, o Fed pode não realizar nenhum corte de juros em 2026, mantendo as taxas estáveis. Essa visão contrasta fortemente com as demandas públicas de Trump, aprofundando o abismo entre a Casa Branca e o banco central. O episódio levanta questões profundas sobre a capacidade do Fed de conduzir a política monetária com base em evidências econômicas, livre de intimidação política.
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