Do riso forçado ao bem-estar genuíno: a ciência por trás da yoga do riso
Prática surgida na Índia nos anos 1990 usa exercícios simulados para desencadear benefícios reais à saúde, comprovados por pesquisas.
A comediante Melanin Bee arqueia as costas como um gato se espreguiçando e solta uma risada forçada e maníaca. O padrão rápido de gargalhadas fabricadas – “oh, hoo hoo hoo, eeh, ha ha ha” – logo se transforma em riso genuíno, e ela chuta os pés com animação. Ela está praticando o que chama de Laughaste, uma rotina hilária de yoga que criou e que é um descendente dos “clubes do riso” que surgiram na Índia na década de 1990.
“É sobre se permitir ficar bem com o constrangimento”, disse Bee, uma comediante e palestrante de Los Angeles. “Então você vai encontrar uma forma de bobagem dentro disso que vai permitir que você ria involuntariamente.” Os clubes do riso foram baseados na noção comum de que o riso alivia o estresse. Mas uma boa gargalhada também é boa para o coração, o sistema imunológico e traz muitos outros benefícios à saúde, disse o Dr. Michael Miller, cardiologista e professor de medicina da Universidade da Pensilvânia.
O estudo moderno do riso – a gelotologia – começou a emergir na década de 1960. Um de seus fundadores, o psicólogo de Stanford William F. Fry, descobriu que o riso aumentava o número de células sanguíneas que reforçam a imunidade. Em 1995, o Dr. Madan Kataria, um médico de Mumbai, iniciou o primeiro clube diário do riso em um parque, que rapidamente cresceu. Após o grupo ficar sem piadas, Kataria criou exercícios que ativam o diafragma e incorporou técnicas de respiração yogue, alongamentos leves e sons e movimentos deliberadamente bobos.
O Dr. Miller, que estuda o riso desde os anos 1990, descobriu que ele produz endorfinas no cérebro que promovem substâncias benéficas nos vasos sanguíneos, como o óxido nítrico, que os dilata, reduzindo pressão arterial, inflamação e colesterol. A combinação diminui o risco de ataque cardíaco, e as endorfinas são analgésicos naturais.
Jenny Rosendhal, pesquisadora sênior de psicologia médica da Universidade de Jena, na Alemanha, realizou uma meta-análise de 45 estudos e descobriu que terapias que induzem o riso diminuem os níveis de glicose, o hormônio do estresse cortisol e a dor crônica. Elas também melhoram a mobilidade e o humor geral, especialmente em populações mais velhas. Para ela, o riso forçado pode ser ainda mais benéfico que o espontâneo, pois os mecanismos fisiológicos são os mesmos.
Kataria ensina que o truque é aprender a rir sem motivo. Em aulas de yoga do riso, as pessoas podem cumprimentar-se como alienígenas, rastejar como animais ou bater na têmpora como se uma lâmpada tivesse acendido. Ele sugere trazer o riso para a vida diária, até mesmo para situações não engraçadas, como ao receber a fatura do cartão de crédito. “É como ativar seus músculos do riso, se livrar de suas inibições mentais e timidez. Então o riso real é um riso infantil, incondicional”, conclui.
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