Inflação no Japão desacelera para 2,4% em dezembro, mas segue acima da meta do banco central
Dados divulgados nesta sexta-feira mostram pressão persistente de custos alimentícios, enquanto Banco do Japão mantém taxas de juros e governo prepara eleições antecipadas.
A inflação básica no Japão registrou 2,4% em dezembro de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O índice, que exclui os preços voláteis de alimentos frescos, desacelerou em relação aos 3% de novembro, mas manteve-se acima da meta de 2% estabelecida pelo Banco do Japão. Os dados foram divulgados pelo governo nesta sexta-feira (23) e refletem um cenário de pressão de custos, principalmente dos alimentos, combinado com uma queda nos preços da energia.
A desaceleração da inflação em dezembro ocorre em um momento de atenção às decisões de política monetária e aos rumos da política fiscal. O Banco do Japão, que aumentou sua taxa básica de juros para cerca de 0,75% em dezembro, manteve os juros inalterados em sua última reunião. Apesar disso, o banco central elevou suas projeções de crescimento econômico para os exercícios fiscais de 2025 e 2026, sinalizando expectativa de uma economia mais aquecida.
Os alimentos, excluindo os itens frescos, foram o principal motor da inflação, com alta de 6,7% no período. Produtos como arroz, chocolate e bolinhos de arroz (onigiri) registraram aumentos expressivos, de 34,4%, 25,8% e 13,1%, respectivamente. No lado oposto, os custos de energia caíram 3,1%, influenciados principalmente pela queda de 7,1% no preço da gasolina, beneficiada por subsídios do governo.
O cenário econômico se entrelaça com o político. A primeira-ministra Sanae Takaichi dissolveu a Câmara Baixa do parlamento e convocou eleições antecipadas para 8 de fevereiro. Entre suas principais promessas de campanha está a suspensão do imposto sobre consumo de alimentos, atualmente em 8%, por dois anos, uma medida que visa aliviar o custo de vida, mas que também gera preocupações sobre a trajetória fiscal do país.
Para o ano de 2025 como um todo, a inflação básica japonesa ficou em 3,1%, marcando o quarto aumento anual consecutivo acima de 2%. Especialistas apontam que, embora a inflação de bens esteja desacelerando, ela deve permanecer acima da meta do Banco do Japão por mais tempo, o que mantém abertas as apostas do mercado por novos aumentos da taxa de juros ainda em 2026.
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