Osaka avança com venda de terreno da Expo 2025 para assegurar legado do evento
Prefeitura mantém plano de comercializar área central de Yumeshima para desenvolvimento privado, enquanto debate sobre a preservação da memória do evento ganha força
A prefeitura de Osaka confirmou que mantém seu plano de vender aproximadamente 500.000 metros quadrados de terreno privilegiado no centro do local que sediou a Exposição Mundial de 2025. A decisão ocorre em meio a um amplo debate sobre como perpetuar o legado do evento, que terminou em outubro passado após seis meses de duração e atraiu mais de 25 milhões de visitantes pagantes, gerando um superávit operacional projetado de até 37 bilhões de ienes.
O evento, realizado na ilha artificial de Yumeshima, na baía de Osaka, reuniu 158 países e regiões, além de sete organizações internacionais, sob o tema “Projetando a Sociedade Futura para Nossas Vidas”. Agora, a discussão se concentra em garantir que o sucesso não seja passageiro. A Associação Japonesa para a Exposição Mundial de 2025 já solicitou que os países participantes desocupem seus pavilhões e terrenos até abril de 2026, com previsão de devolver a área total à prefeitura até fevereiro de 2028.
Um dos símbolos do evento, o Grand Ring – a maior estrutura de madeira do mundo com cerca de 2 km de circunferência – terá uma seção de aproximadamente 200 metros preservada. A área, após vistoria e aplicação de medidas de manutenção e anticorrosão, deve ser aberta para acesso do público ao nível do telhado por volta do início de 2030. Cerca de 33.000 metros quadrados ao redor do Grand Ring serão administrados como um parque público.
O plano da prefeitura é vender a vasta área central para um projeto de desenvolvimento que dê continuidade à filosofia central da Expo e seja compatível com o Resort Integrado (IR) – que incluirá um cassino – atualmente em construção em um terreno adjacente e com inauguração prevista para o outono de 2030. Duas propostas de conceito destacadas pelo setor privado estão em análise: uma prevê a construção de um circuito de corrida e uma grande arena, enquanto a outra esboça um resort de luxo de classe mundial com parque aquático.
No entanto, o plano de venda encontrou resistência em parte do círculo empresarial, que bancou um terço dos custos de construção do local. O presidente da Federação Econômica de Kansai, Masayoshi Matsumoto, expressou surpresa com a decisão de “vender o terreno” e defende que a cidade administre parte da área para preservar o caráter da Expo, sugerindo a criação de um museu para passar o legado às futuras gerações. A prefeitura rebate, afirmando que a venda é o método mais comum para a destinação de terrenos recuperados do mar.
Além do debate sobre o uso do solo, o legado econômico da Expo se consolida com números expressivos. Um estudo recente estimou que o impacto econômico total do evento foi de aproximadamente 3,6 trilhões de ienes, valor significativamente superior às projeções iniciais, puxado principalmente pelo gasto dos visitantes. O evento colocou Osaka no centro das atenções globais e acelerou investimentos em infraestrutura, como a extensão da linha de metrô até Yumeshima, que servirão de base para o desenvolvimento turístico e urbano futuro da região.
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