Premiê britânico prioriza alinhamento setorial com UE para não prejudicar acordos com EUA e Índia.

Starmer define maior acesso ao mercado europeu como prioridade para o Reino Unido em 2026

Primeiro-ministro rejeita adesão a união aduaneira para proteger acordos comerciais com Estados Unidos e Índia, em clara estratégia de diferenciação política

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que buscará um alinhamento mais próximo com o mercado único da União Europeia, setor por setor, preferindo essa rota à formação de uma união aduaneira com o bloco. A declaração, feita em entrevista à BBC, configura a linguagem mais forte usada pelo líder trabalhista sobre o desejo de suavizar os termos do Brexit e define uma batalha política central para seu governo neste ano.

Starmer afirmou que, se estiver no interesse nacional, o país deve considerar um alinhamento ainda mais próximo com o mercado único. Ele justificou a opção por um acesso setorial ao mercado único, em detrimento de uma união aduaneira, argumentando que esta última poderia desfazer os acordos comerciais celebrados com os Estados Unidos e a Índia no ano passado. Para o premiê, o Reino Unido está em melhor posição para buscar mais acesso ao mercado do que para formar uma união aduaneira.

O governo planeja apresentar em breve um projeto de lei que concederá poderes significativos aos ministros para forjar laços regulatórios mais estreitos com Bruxelas. A legislação, batizada de “reset” com a UE, criará um mecanismo de alinhamento para os acordos de alimentos e comércio de eletricidade já negociados. O objetivo é permitir que futuros governos mantenham o ritmo das novas regulamentações europeias em outros setores, embora as negociações finais com o bloco ainda estejam em andamento.

Esta posição surge em um contexto político delicado para Starmer. Seu governo enfrenta impopularidade e um fraco desempenho da economia, com o próprio premié admitindo que 2026 precisa ser, finalmente, o ano da “mudança” prometida. Internamente, membros de seu partido, como o secretário de Saúde, Wes Streeting, e o vice-primeiro-ministro, David Lammy, já sugeriram publicamente que explorar uma união aduaneira traria benefícios econômicos, desafiando a promessa eleitoral de não fazê-lo.

A estratégia de Starmer também é vista como uma manobra para confrontar politicamente Nigel Farage, líder do partido Reform UK, que lidera as pesquisas de intenção de voto. O primeiro-ministro acusou Farage de não acreditar no futuro da Grã-Bretanha e de praticar uma “política de ressentimento”. Ao se posicionar como defensor de uma reaproximação pragmática e soberana com a Europa, Starmer espera virar o jogo de suas fortunas políticas neste ano.

O Partido Conservador, de oposição, criticou a manobra, acusando Starmer de usar o Brexit como desculpa para os problemas econômicos e de buscar poderes vagos e amplos para mudar a relação com a UE sem o devido escrutínio parlamentar. Em defesa, fontes do governo destacam que a reaproximação com a UE já rendeu o melhor relacionamento bilateral em uma década e que os acordos em curso devem agregar bilhões de libras à economia britânica nas próximas décadas.

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