Takaichi vê iene fraco como ‘oportunidade’ para exportadores japoneses
Declaração em comício eleitoral contrasta com postura oficial do Ministério das Finanças, que se diz pronto para conter volatilidade excessiva
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, destacou os benefícios de um iene mais fraco para a indústria exportadora do país durante um discurso de campanha no sábado. A fala, realizada às vésperas das eleições gerais antecipadas de 8 de fevereiro, adotou um tom divergente da linha defendida publicamente pelo Ministério das Finanças, que afirma não descartar nenhuma opção para conter movimentos excessivos no mercado de câmbio.
“As pessoas dizem que o iene fraco é ruim no momento, mas para as indústrias de exportação, é uma grande oportunidade”, afirmou Takaichi, que também é presidente do Partido Liberal Democrata (PLD). A declaração foi feita em um comício em Tóquio visando mobilizar eleitores para a disputa pela Câmara dos Deputados.
Posteriormente, a premiê amenizou o tom de sua declaração, afirmando que não tem uma preferência pela direção do valor da moeda japonesa. A observação inicial, no entanto, chamou a atenção por vir em um momento em que autoridades financeiras, incluindo o ministro das Finanças, mantêm um alerta constante sobre a desvalorização excessiva da moeda e sua pressão sobre o custo de vida.
O governo japonês tem intervindo esporadicamente no mercado para sustentar o iene, que vem sofrendo pressão devido ao amplo diferencial de juros entre o Japão e os Estados Unidos. Enquanto o Banco do Japão mantém uma política monetária ultraacomodatória, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) segue com juros elevados, incentivando a saída de capitais do país asiático.
A aparente divergência de mensagens reflete o delicado equilíbrio que Tóquio busca entre aproveitar os ganhos de competitividade para grandes fabricantes, como as montadoras, e mitigar o impacto do encarecimento de importações, como energia e alimentos, para consumidores e pequenas empresas.
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