Premiê japonesa deve dissolver parlamento no dia 23 de janeiro e convocar eleições para fevereiro.

Governo Takaichi articula eleições antecipadas para fevereiro no Japão

Premiê planeja dissolver a Câmara dos Representantes já na abertura da sessão legislativa, apostando em sua popularidade recorde

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, iniciou os preparativos para dissolver a Câmara Baixa do parlamento (Câmara dos Representantes) e convocar eleições gerais antecipadas para o início de fevereiro. A manobra política, revelada por fontes do alto escalão do governo, está prevista para ocorrer logo no primeiro dia da sessão ordinária da Dieta, que será convocada no próximo dia 23 de janeiro.

Entre os cronogramas em análise, as propostas mais fortes sugerem duas janelas possíveis para o pleito: uma com o anúncio oficial da eleição em 27 de janeiro e a votação em 8 de fevereiro, e outra com o anúncio em 3 de fevereiro e a votação no dia 15. A decisão reflete a necessidade da premiê de consolidar uma base política mais sólida. Atualmente, sua coalizão governista ocupa uma posição de minoria na Câmara dos Conselheiros (câmara alta), configurando uma ‘Dieta distorcida’, e tem uma maioria apertada de apenas um assento na Câmara Baixa.

A estratégia de Takaichi é movida por seu alto índice de aprovação, que tem se mantido estável em torno de 70% desde a formação de seu gabinete em outubro, com pesquisas mais recentes indicando uma aprovação que chega a 78%. Este capital político é visto como uma oportunidade para buscar um mandato próprio e mais robusto junto ao eleitorado, antes que desafios econômicos ou tensões diplomáticas possam desgastar sua popularidade.

A antecipação das eleições, no entanto, traz riscos práticos imediatos. Se a Câmara for dissolvida, os debates e a votação do projeto de orçamento para o ano fiscal de 2026, que começa em abril, serão interrompidos. A aprovação do orçamento poderá ser adiada até abril ou mesmo depois, o que pode forçar o governo a compilar um orçamento provisório para manter as operações fiscais do país. Líderes da oposição já criticam a manobra, argumentando que ela cria um vácuo político justamente no momento em que são necessárias medidas concretas para lidar com a inflação e o custo de vida.

No tabuleiro político, esta será a primeira eleição após o rompimento da longa coalizão entre o Partido Liberal Democrático (PLD), de Takaichi, e o partido budista Komeito. O Komeito agora coordena esforços com os partidos de oposição, enquanto o PLD conta com o apoio do Partido da Inovação do Japão (Nippon Ishin) nesta nova configuração. O resultado do pleito definirá se Takaichi conseguirá governar com uma base parlamentar mais confortável para implementar sua agenda, que inclui políticas econômicas expansionistas e uma potencial reforma constitucional para criar uma cláusula de emergência nacional.

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