Takaichi inicia nova fase na residência oficial enquanto equilibra premiê e cuidados ao marido
Mudança ocorre dois meses após posse e visa melhorar gestão de crises, mas destaca desafio pessoal da primeira-ministra
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, realizou sua mudança para a residência oficial do cargo no último dia 29 de dezembro, deixando para trás o dormitório para membros da Câmara dos Deputados onde vivia há anos. A nova moradia, localizada ao lado do escritório da premiê em Tóquio, é parte de um esforço para aprimorar o sistema de gerenciamento de crises do país. No entanto, Takaichi enfrenta paralelamente um desafio pessoal significativo: os cuidados dedicados ao seu marido, o ex-deputado Taku Yamamoto, de 73 anos, que ela descreveu a pessoas próximas como uma ‘operação solo’.
A decisão de se mudar ganhou urgência após críticas da oposição, que questionou a demora de 35 minutos de Takaichi para chegar ao seu escritório após um forte terremoto no nordeste do Japão em 8 de dezembro. A residência oficial, agora a um minuto a pé do trabalho, contrasta com os cerca de 400 metros de distância do antigo dormitório, percurso que era feito de carro. Antes da mudança, a primeira-ministra realizou uma inspeção nas dependências para verificar as condições de acessibilidade para cadeira de rodas.
O marido de Takaichi, Taku Yamamoto, sofreu um AVC em fevereiro do ano passado e necessita de uma cadeira de rodas no dia a dia. Em novembro, a primeira-ministra revelou a parlamentares que dorme entre duas e quatro horas por noite, conciliando a exaustiva agenda de trabalho com os cuidados ao marido. Assessores próximos expressam preocupação com essa dupla carga, já que Takaichi costuma trabalhar até tarde da noite preparando sessões parlamentares e, pela manhã, também assume as tarefas de cuidado.
Especialistas apontam que Takaichi pode ser considerada uma ‘cuidadora que trabalha’, um fenômeno crescente no Japão. Estimativas do governo indicam que o número de pessoas que conciliam emprego e cuidados a familiares deve chegar a 3,07 milhões em 2025. Reiko Ishiyama, professora especializada em cuidados a idosos, destaca que o simples fato da primeira-ministra falar abertamente sobre o assunto pode ampliar a compreensão social sobre essa realidade, ainda que, pela sua posição, ela possa hesitar em comentar detalhes que tocam em políticas públicas específicas.
A residência oficial, um edifício de tijolos da década de 1920, foi palco de tentativas de golpe de estado na década de 1930 e permaneceu desocupada por nove anos, até 2021, depois que os ex-premiês Shinzo Abe e Yoshihide Suga optaram por não morar lá. Sua mudança ocorreu durante seu primeiro período de férias desde que assumiu o cargo em outubro.
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