Premiê Takaichi busca novo mandato com eleição surpresa após 3 meses no cargo

Japão convoca eleições antecipadas para 8 de fevereiro após dissolução do Parlamento

Premiê Sanae Takaichi aposta alta popularidade para fortalecer base governista e aprovar agenda

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu oficialmente a Câmara Baixa do Parlamento (Câmara dos Representantes) nesta sexta-feira, 23 de janeiro, abrindo caminho para eleições gerais antecipadas que ocorrerão em 8 de fevereiro. A decisão, tomada durante uma reunião de gabinete pela manhã e formalizada em sessão plenária no período da tarde, marca o início de uma campanha eleitoral relâmpago e coloca o futuro político de Takaichi diretamente nas mãos dos eleitores.

Em uma jogada política arriscada, Takaichi, que assumiu o cargo há apenas três meses, busca um novo mandato popular para impulsionar sua agenda de governo. A primeira-ministra declarou que está “apostando” sua carreira política no resultado das urnas, afirmando que a população deve decidir diretamente se confia a ela a administração do país. Com altos índices de aprovação, próximos a 70%, a líder espera capitalizar sua popularidade para ampliar a frágil maioria de sua coalizão no Parlamento.

O período oficial de campanha terá início na próxima terça-feira, 27 de janeiro, totalizando apenas 16 dias — o intervalo mais curto entre a dissolução e a votação no Japão do pós-guerra. Todos os 465 assentos da Câmara dos Representantes estarão em disputa. A eleição testará o apetite dos eleitores por políticas de aumento de gastos públicos e cortes de impostos propostos por Takaichi, em um momento em que a alta dos preços preocupa a população.

Os principais temas da disputa incluem a avaliação das políticas do governo, as medidas para combater a inflação — incluindo uma promessa de suspender por dois anos o imposto sobre consumo de alimentos — e as políticas de segurança nacional e imigração. A primeira-ministra defende uma postura mais assertiva em defesa, tendo recentemente aprovado um orçamento recorde para o setor e feito declarações firmes sobre Taiwan que aumentaram as tensões com a China.

Oposicionistas criticaram o momento da dissolução, argumentando que ela atrasará a discussão e votação do orçamento nacional para o próximo ano fiscal, que precisa ser aprovado até o final de março. A decisão também ocorre em um contexto de realinhamento político, com o partido de Takaichi, o Partido Liberal Democrático (PLD), formando uma nova coalizão com o Partido da Inovação do Japão (Ishin).

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