Presidente dos EUA desafia normas internacionais com intervenções e ameaças

Ação unilateral de Trump abala ordem mundial e gera reações globais

Presidente dos EUA desafia normas internacionais com intervenções e ameaças a territórios aliados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou 2026 com uma série de ações unilaterais que estão redefinindo a política externa americana e abalando a ordem global estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Em um intervalo de poucos dias, seu governo liderou uma operação militar que depôs o líder venezuelano Nicolás Maduro, ameaçou anexar a Groenlândia – território autônomo da Dinamarca, aliada na OTAN – e anunciou a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais. Esses movimentos deixaram tanto aliados quanto adversários em alerta, gerando críticas sobre o desrespeito ao direito internacional e à soberania de outros países.

A intervenção na Venezuela ocorreu sem autorização do Congresso americano ou do Conselho de Segurança da ONU, resultando na captura e traslado de Maduro para os Estados Unidos. Trump declarou que os EUA vão “administrar” a Venezuela “por muitos anos” e utilizar seus vastos recursos petrolíferos, afirmando que a reconstruirão “de uma forma muito lucrativa”. Paralelamente, ameaças explícitas foram feitas a outros países da América Latina, como México, Colômbia e Cuba. Para analistas, essas ações refletem uma tentativa de impor uma “nova ordem global baseada no uso da força” e de reviver, com uma roupagem militarizada, uma doutrina de influência exclusiva dos EUA no Hemisfério Ocidental.

No cenário europeu, a ameaça de anexação da Groenlândia, mesmo que por força, causou profunda consternação. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, fez uma crítica incomum e direta, afirmando que os EUA estão “destruindo a ordem mundial” e ajudando a transformar o mundo em um “covil de ladrões em que os poderosos tomam tudo o que querem”. Steinmeier alertou que o comportamento americano representa uma “segunda ruptura histórica”, comparável ao impacto da invasão russa na Ucrânia. A União Europeia demonstrou apoio à Dinamarca, mas a reação coordenada entre os aliados mostrou-se limitada.

A retirada dos EUA de 66 organizações internacionais, incluindo 31 entidades da ONU, marca um aprofundamento do unilateralismo. Entre as entidades afetadas estão a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a ONU Mulheres. O governo Trump justificou a medida alegando que essas organizações não servem mais aos interesses nacionais americanos, operam de forma ineficiente ou promovem agendas contrárias às suas políticas. Essa postura forçou a ONU e outras agências a realizar cortes drásticos de pessoal e programas, especialmente após os EUA também reduzirem drasticamente a ajuda externa por meio da USAID.

Especialistas apontam que Trump age em um contexto de fragilidade institucional, tanto interna quanto internacional. Nos EUA, ele enfrenta uma oposição política desorganizada e um Congresso controlado por seu partido, o que concentra poder de forma incomum. No plano global, a ONU vive um momento de paralisia, e as divisões entre blocos regionais dificultam uma resposta conjunta eficaz. Críticos, como o ex-ministro do STF Celso de Mello, argumentam que essa política “comunica ao mundo uma preferência pela linguagem da coerção” e substitui a previsibilidade do direito internacional por uma “política de força”. O resultado, segundo análises, é um mundo mais instável e perigoso, onde o risco de conflitos aumenta e outras grandes potências podem se sentir encorajadas a agir de forma similar em suas esferas de influência.

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