Trump declara ‘não haver volta atrás’ na disputa pela Groenlândia
Crise geopolítica se intensifica com ameaças de tarifas e questionamento da soberania dinamarquesa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que não há “volta atrás” em seu objetivo de obter o controle da Groenlândia, recusando-se a descartar o uso da força para adquirir a ilha ártica. A declaração, feita durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, amplia uma crise diplomática que ameaça a coesão da OTAN e reacende o espectro de uma guerra comercial com a Europa.
Trump justificou sua ambição afirmando que a Groenlândia é “imperativa para a Segurança Nacional e Mundial”. Questionado sobre até onde ele estava disposto a ir para adquirir o território, o presidente respondeu de forma ominosa: “Vocês vão descobrir”. Ele demonstrou otimismo sobre uma resolução, dizendo acreditar que “as coisas vão funcionar muito bem” e que um acordo poderia deixar a OTAN “muito feliz”.
Para reforçar sua mensagem, o presidente recorreu às redes sociais, compartilhando imagens geradas por inteligência artificial. Uma delas o mostrava na Groenlândia segurando a bandeira dos EUA, enquanto outra apresentava um mapa que incluía a Groenlândia e o Canadá como parte dos Estados Unidos. Além disso, ele vazou mensagens privadas de líderes europeus, incluindo uma do presidente francês, Emmanuel Macron, que questionava: “Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia”.
A resposta europeia tem sido de firme oposição. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse ao parlamento que “o pior ainda pode estar por vir” e afirmou que não negociará valores fundamentais como a soberania. Vários países europeus enviaram tropas para a Groenlândia em um exercício militar simbólico de solidariedade, movimentação que Trump desdenhou, alegando se tratar de “algumas pessoas” enviadas contra a Rússia, e não contra os EUA.
Como retaliação, o presidente americano ameaçou impor tarifas escalonadas—iniciando em 10% em 1º de fevereiro e subindo para 25% em 1º de junho—a oito nações europeias, incluindo Dinamarca, França e Alemanha, além do Reino Unido e da Noruega. Ele chegou a ameaçar especificamente os vinhos e champanhes franceses com uma tarifa de 200%. A União Europeia avalia retaliar com um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros em importações americanas ou utilizando seu inédito “Instrumento Anti-Coerção”, uma arma comercial poderosa que poderia restringir o acesso de gigantes tecnológicos dos EUA ao mercado europeu.
Enquanto o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, pedia calma e descrevia a reação como “histeria”, líderes europeus em Davos adotavam um tom diferente. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou sobre uma “mudança sísmica” que torna necessária a construção de uma “nova forma de independência europeia”. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, alertou que a “ordem baseada em regras está desaparecendo”.
A crise tem abalado os mercados financeiros, com futuros dos índices S&P 500 e Nasdaq caindo para mínimas de um mês, ações europeias recuando e o ouro atingindo recordes, refletindo a aversão global ao risco. A tensão também é explorada pela Rússia, cujo ministro das Relações Exteriores afirmou que a Groenlândia não é “uma parte natural” da Dinamarca.
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