Trump diz que seria ‘inteligente’ Maduro deixar o poder durante bloqueio naval
Presidente dos EUA aumenta pressão sobre Venezuela com operações militares que já apreenderam petroleiros e reduziram exportações de petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que seria “inteligente” o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deixar o poder. A declaração foi feita enquanto forças navais americanas mantêm um bloqueio sobre a riqueza petrolífera do país sul-americano. Questionado por repórteres em sua casa na Flórida se o objetivo de Washington era forçar a saída de Maduro, Trump respondeu: “Isso depende dele, do que ele quiser fazer. Acho que seria inteligente da parte dele fazer isso”.
Maduro reagiu às declarações sugerindo que Trump deveria focar nos problemas internos dos Estados Unidos. “Penso que o presidente Trump poderia se sair melhor em seu país e no mundo”, afirmou o líder venezuelano em um discurso televisionado. A tensão entre os dois países escalou significativamente nas últimas semanas, com Trump ordenando um “bloqueio total e completo” a petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela.
Bloqueio naval e apreensão de petroleiros
A ordem de bloqueio vem sendo executada pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, que já realizou a apreensão de pelo menos dois grandes petroleiros neste mês de dezembro. O primeiro, chamado Skipper, foi interceptado no dia 10 de dezembro. O segundo, batizado de Centuries, foi apreendido no último sábado, dia 20. As autoridades americanas afirmam que o Centuries operava com uma “bandeira falsificada” como parte da chamada “frota fantasma” venezuelana, usada para transportar petróleo considerado irregular.
Um terceiro petroleiro, o Bella 1, também foi alvo de uma perseguição pelas forças americanas, mas conseguiu evitar a abordagem. Dados de rastreamento marítimo indicam que essas operações já estão tendo um impacto direto e acentuado sobre a exportação de petróleo da Venezuela, com parte significativa da frota petroleira permanecendo parada ou evitando rotas associadas ao país.
Dimensão militar e alegações sobre recursos
Os Estados Unidos acumularam uma presença militar significativa na região do Caribe, próxima à Venezuela. Este contingente inclui mais de 15 mil soldados e o porta-aviões USS Gerald R. Ford. Trump descreveu a Venezuela como “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”.
A justificativa pública para a pressão militar tem sido o combate ao narcotráfico, com Trump acusando Maduro de liderar uma organização terrorista narcotraficante, o Cartel de los Soles. No entanto, o presidente americano também fez alegações sobre direitos sobre recursos, afirmando que a Venezuela “tomou” direitos petrolíferos e terra dos Estados Unidos e que Washington quer esses ativos de volta. Maduro classificou essas declarações como uma revelação das verdadeiras intenções americanas, chamando-as de uma “pretensão belicista e colonialista” que busca uma mudança de regime e o controle da riqueza venezuelana.
Impacto econômico e reações internacionais
Especialistas alertam que o bloqueio pode ter consequências devastadoras para a economia venezuelana, já que o petróleo é a pedra angular da economia do país, responsável por quase 90% das divisas. Uma redução severa nas exportações pode levar a uma maior desvalorização da moeda local, aumento da inflação e aprofundamento da crise humanitária, potencialmente gerando uma nova onda migratória.
Internacionalmente, a Rússia expressou seu “pleno apoio” ao governo de Maduro. A China, principal compradora do petróleo venezuelano, também manifestou apoio a Caracas, opondo-se a “todas as formas de unilateralismo e intimidação”. Líderes regionais, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, alertaram que uma intervenção militar na Venezuela seria uma “catástrofe humanitaria”.
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