Irã declara estar em “guerra total” com EUA, Israel e Europa em meio a tensão geopolítica
Presidente Masoud Pezeshkian faz declaração em entrevista a meios estatais, comparando conflito atual com guerra Irã-Iraque da década de 1980
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou neste sábado (27) que seu país está em uma “guerra total” com os Estados Unidos, Israel e a Europa. A afirmação foi feita em uma entrevista publicada pelos meios de comunicação estatais iranianos, citando a agência France Presse, e ocorre às vésperas de um importante encontro entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano, Donald Trump.
“Na minha opinião, estamos numa guerra total com os Estados Unidos, Israel e a Europa. Eles querem pôr o nosso país de joelhos”, declarou Pezeshkian. O presidente iraniano ainda comparou a situação atual com a guerra travada contra o Iraque entre 1980 e 1988, afirmando que o conflito atual é “pior” e “muito mais complexo e difícil”.
A declaração acontece em um momento de elevada tensão regional, apenas um dia antes da viagem de Netanyahu aos Estados Unidos para seu quinto encontro com Trump desde que o presidente americano retornou à Casa Branca. Os dois líderes se reunirão na residência presidencial de Mar-a-Lago, na Flórida, nesta segunda-feira (29).
Encontro crucial entre aliados em meio a múltiplas crises
O encontro entre Netanyahu e Trump ocorre em um contexto geopolítico delicado, com várias frentes de tensão abertas. Oficialmente, a reunião deve se concentrar na segunda fase do frágil cessar-fogo em Gaza, estabelecido em outubro, e nas preocupações de Israel em relação ao programa nuclear e de mísseis do Irã, além da ameaça representada pelo Hezbollah no Líbano.
No entanto, analistas políticos israelenses avaliam que, para Netanyahu, a visita a Mar-a-Lago representa muito mais do que uma reunião diplomática de rotina. Trata-se do ato inicial de sua campanha para a reeleição em 2026, na qual o presidente americano está posicionado para desempenhar um papel fundamental. “O presidente dos EUA será central – se não o fator principal – na estratégia de reeleição de Netanyahu”, disse Nadav Shtrauchler, estrategista político que já trabalhou para o primeiro-ministro.
A aliança entre os dois líderes tem precedentes. Durante os ciclos eleitorais de 2019-2020 em Israel, o partido Likud de Netanyahu espalhou outdoors pelo país mostrando os dois apertando as mãos, com a inscrição “Netanyahu, noutro patamar”. Mais recentemente, Trump defendeu publicamente uma campanha por um perdão presidencial para Netanyahu, que enfrenta acusações de corrupção em Israel.
Agenda complexa: de Gaza ao Irã
Apesar da retórica de “melhor amigo” de Israel, Trump e Netanyahu não estão em completa sintonia em todas as questões. A implementação da segunda fase do plano de paz para Gaza, um acordo de 20 pontos mediado por Trump, está paralisada. Esta fase prevê o desarmamento do Hamas, o envio de uma Força Internacional de Estabilização e a retirada completa de Israel do enclave palestino.
Enquanto Washington pressiona por avanços, a coalizão de direita de Netanyahu resiste a novas concessões. Fontes israelenses sugerem que o primeiro-ministro pode buscar aprovação para mais uma operação militar em Gaza antes de avançar no cessar-fogo, como uma demonstração final de força para seus parceiros de coalizão.
O Irã, no entanto, permanece como o ponto crítico de tensão mais explosivo. As declarações belicosas de Pezeshkian refletem a deterioração das relações desde a “guerra dos 12 dias” em junho, quando Israel, com apoio americano, lançou ataques sem precedentes contra instalações militares e nucleares iranianas. Israel monitora de perto o contínuo enriquecimento nuclear de Teerão e suas atividades com mísseis balísticos, mas autoridades duvidam que Trump autorize prontamente outra grande operação militar israelense contra o Irã.
A reunião em Mar-a-Lago também ocorre em meio a crescentes pressões internas sobre Netanyahu, incluindo um escândalo de supostos pagamentos do Catar a assessores próximos e uma crise em torno do serviço militar obrigatório para cidadãos ultraortodoxos, que desencadeou novos protestos em massa em Israel.
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