Presidente Trump reverte décadas de política comercial dos EUA com tarifas globais.

Trump derruba décadas de política comercial e ergue um “muro de tarifas” global

Medidas protecionistas revertem era de livre comércio e geram retaliações internacionais

Desde seu retorno à Presidência dos Estados Unidos em janeiro, Donald Trump executou uma reviravolta histórica na política comercial do país, substituindo décadas de orientação para uma economia aberta por um agressivo regime de protecionismo. A nova estratégia, descrita como a construção de um “muro de tarifas” em torno da economia americana, impôs taxas de importação de dois dígitos sobre produtos de quase todos os países, incluindo aliados tradicionais e grandes concorrentes como China e União Europeia.

As tarifas, que chegam a 34% para produtos chineses e 20% para os da União Europeia, têm como objetivo declarado reequilibrar o déficit comercial americano, trazer empregos de volta ao país e gerar receita para o Tesouro. No entanto, especialistas econômicos alertam que o custo recai sobre consumidores e empresas, com estimativas indicando um aumento médio de US$ 1.100 por ano no imposto pago por cada família americana. A implementação errática das medidas, com anúncios, suspensões e alterações, tornou 2025 um dos anos mais turbulentos para o comércio global em memória recente.

Analistas traçam um paralelo histórico preocupante entre as atuais tarifas e a Lei Tarifária Smoot-Hawley de 1930. Naquela época, tarifas médias de 40% a 60% sobre milhares de produtos estrangeiros foram amplamente reconhecidas como um fator que agravou severamente a Grande Depressão. Economistas chegaram a implorar ao presidente Herbert Hoover para vetar a lei, alertando que ela intensificaria o nacionalismo global. Nos dois anos seguintes à sua implementação, o comércio internacional dos EUA despencou cerca de 40%, e o comércio global caiu aproximadamente 65%.

Ao anunciar sua política, Trump declarou que “tarifa” é uma das palavras mais bonitas do dicionário e que as medidas, mesmo causando “alguma dor”, são “um preço que vale a pena pagar”. Ele estabeleceu um novo sistema com alíquotas escalonadas: 10% para países com os quais os EUA têm superávit comercial, 15% para aqueles com déficit pequeno e taxas mais altas para nações com grandes déficits. A justificativa oficial, conforme explicada pelo Representante Comercial dos EUA, é acelerar a reindustrialização americana, proteger trabalhadores e garantir a segurança nacional.

Os impactos já são sentidos globalmente. O Brasil, por exemplo, teve tarifas de 10% aplicadas a seus produtos. Uma pesquisa do Banco Central brasileiro mostrou que, no terceiro trimestre de 2025, 61,2% das empresas não financeiras no país reportaram aumento no custo de insumos importados devido à política comercial americana. Em resposta às tarifas, países como China, Canadá e México já iniciaram rodadas de retaliação, impondo suas próprias taxações sobre produtos americanos e investigando empresas dos EUA, o que ameaça iniciar uma guerra comercial em larga escala.

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