Pressões de alimentos e energia arrefecem, reduzindo inflação de Tóquio e enfraquecendo iene.

Inflação na capital japonesa desacelera mais que o esperado e pressiona iene

Queda nos preços de alimentos e energia reduz expectativas de aperto monetário imediato

A inflação na região metropolitana de Tóquio, um importante indicador antecipado para o resto do país, desacelerou mais do que o previsto em dezembro. A taxa anual recuou para 2%, atingindo seu nível mais baixo em mais de um ano, impulsionada pela redução das pressões de preços nos setores de alimentos e energia. O dado, que ficou abaixo das expectativas do mercado, alimentou a fraqueza do iene, com investidores revisando para baixo a probabilidade de um novo aumento da taxa de juros pelo Banco do Japão no curto prazo.

A desaceleração da inflação em Tóquio, que chegou a 2,7% em novembro, reflete um alívio significativo em categorias essenciais do orçamento familiar. O crescimento dos preços dos alimentos atingiu seu menor patamar em um ano, enquanto os custos da energia também mostraram sinais de estabilização. Este cenário contrasta com a persistente inflação subjacente, que no país como um todo permanece em 3%, acima da meta de 2% do banco central pelo 44º mês consecutivo.

O iene japonês sentiu o impacto imediato dos dados. A moeda enfraqueceu, negociando acima de 155 por dólar, pois os mercados interpretaram o recuo da inflação como um sinal de que o Banco do Japão poderá adotar uma postura mais cautelosa no ciclo de normalização monetária. Apesar do banco central ter elevado sua taxa básica para 0,75% em dezembro, o nível mais alto desde 1995, o comunicado do governador Kazuo Ueda foi considerado menos restritivo do que alguns investidores esperavam.

Analistas apontam que a fraqueza do iene, mesmo em um cenário de juros mais altos, desafia a lógica econômica tradicional e se deve em parte à estratégia conhecida como “carry trade”. Com as taxas japonesas historicamente baixas por anos, investidores se endividavam em ienes para aplicar em ativos com maior rendimento no exterior. À medida que o Banco do Japão eleva os juros, essa estratégia se torna menos atrativa, gerando volatilidade nos fluxos de capital. Autoridades financeiras já alertaram sobre a possibilidade de intervir no mercado de câmbio para conter movimentos excessivos da moeda.

No front doméstico, a decisão do banco central de aumentar os juros já começa a afetar a economia real. Principais bancos regionais anunciaram o reajuste das taxas tanto para depósitos quanto para empréstimos, o que impactará os rendimentos dos poupadores e o custo do crédito para pessoas e empresas a partir de fevereiro.

O caminho futuro da política monetária permanece incerto. Embora o Banco do Japão tenha sinalizado que continuará a elevar as taxas de juros se as perspectivas de crescimento e inflação se confirmarem, a desaceleração recente dos preços em Tóquio introduz um elemento de pausa. A instituição deve avaliar cuidadosamente se a inflação está firmemente enraizada na economia, sustentada por aumentos salariais, antes de prosseguir com mais normalização.

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