Projeção aponta pausa no crescimento do turismo internacional no Japão para 2026
Queda no número de visitantes será a primeira desde a pandemia, impulsionada por alertas de viagem chineses, mas gastos totais devem aumentar.
O ano de 2026 deve marcar uma inflexão no turismo internacional no Japão. Após uma recuperação acelerada pós-pandemia que deve fechar 2025 com um recorde histórico, a gigante do setor de viagens JTB projeta uma queda de 2,8% no número de visitantes estrangeiros para o próximo ano, o primeiro recuo em anos. A principal razão é o impacto contínuo do alerta emitido pelo governo da China, que pede a seus cidadãos que evitem viajar para o Japão. No entanto, em um cenário de qualidade sobre quantidade, a mesma previsão indica que o gasto total dos turistas no país deve subir, impulsionado por visitantes de mercados como Europa, Estados Unidos e Austrália, que costumam ficar mais tempo e consumir mais.
Segundo a JTB, o Japão deve receber 41,4 milhões de turistas internacionais em 2026, uma redução em relação aos 42,6 milhões projetados para 2025. O fator decisivo para essa reversão é a forte desaceleração no fluxo da China, que historicamente representa um dos maiores e mais importantes grupos de visitantes. O alerta de viagem foi emitido pelo governo chinês em novembro do ano passado, após declarações da primeira-ministra japonesa sobre a segurança de Taiwan. Embora não seja uma proibição, a orientação exerce forte pressão social e, principalmente, sobre as operadoras de viagens em grupo chinesas.
O impacto já é visível. Dados do setor mostram que as chegadas mensais de turistas chineses ao Japão, que haviam atingido 715.700 em outubro de 2025, caíram para cerca de 560 mil em novembro e 530 mil em dezembro. Algumas estimativas de mercado preveem que o número total de visitantes chineses pode cair pela metade em 2026, variando de 4,8 a 5,8 milhões, em comparação com 9,3 milhões em 2025. Relatos do setor hoteleiro e do comércio em destinos tradicionais como Tóquio, Quioto e estações de esqui de Nagano já indicam cancelamentos e movimentação abaixo do esperado.
Contudo, o panorama geral para o setor de turismo japonês não é sombrio. A JTB projeta que o gasto total dos visitantes internacionais deve crescer 0,6% em 2026, atingindo 9,64 trilhões de ienes. Esse crescimento ocorrerá mesmo com menos pessoas, graças a uma mudança no perfil dos turistas. A expectativa é de maior demanda e ocupação por parte de viajantes da América do Norte, Europa e Oceania, grupos conhecidos por estadias mais longas e por um gasto médio por pessoa significativamente maior. O gasto médio por turista deve subir de 225.000 ienes em 2025 para 233.000 ienes em 2026.
Essa transição também pode alterar os destinos dentro do Japão. Com a proporção de viajantes repetentes aumentando, há uma tendência de que os turistas internacionais explorem mais regiões fora dos circuitos tradicionais das grandes cidades. Dados de reservas para o primeiro trimestre de 2026 já mostram um interesse crescente de coreanos e taiwaneses por destinos como Ishikawa, Mie, Nagano, Hokkaido e Shikoku. Paralelamente, o governo japonês vem implementando medidas para um turismo mais sustentável, incluindo a criação de limites de visitantes em locais icônicos e o fim do reembolso imediato de impostos nas compras a partir de novembro de 2026.
Portanto, 2026 se apresenta como um ano de consolidação e rebalanceamento para o turismo japonês. Embora a incerteza política com a China seja uma nuvem no horizonte, a capacidade de atrair visitantes de alto poder aquisitivo de outras partes do mundo e de redistribuí-los pelo país aponta para uma estratégia de valorização da experiência em detrimento do volume bruto. O momento é visto por analistas como uma “pausa” ou “platô” após anos de crescimento explosivo, permitindo ao setor se ajustar aos novos fluxos globais.
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