Projeções mostram um Japão com 20 milhões a menos em 2050 e o peso do envelhecimento populacional.

Japão em 2050: a nação que encolhe e envelhece

Para a geração atual de jovens, o futuro será moldado por uma transformação demográfica sem precedentes, com menos trabalhadores para sustentar mais idosos.

Keiichi Yasunaga, de 19 anos, vê o ano de 2050 como uma ideia distante, mas as projeções demográficas indicam que ele e sua geração herdarão um país radicalmente diferente. Estima-se que a população do Japão caia para cerca de 100 milhões de pessoas em 2050, uma redução de mais de 20 milhões em relação aos números atuais. Paralelamente, a proporção de residentes com 65 anos ou mais deve saltar dos atuais 29,4% para 37,1%.

Essa mudança elevará a taxa de dependência – o número de crianças e idosos sustentados por cada 100 pessoas em idade ativa – de 68,0 para 89,0. Na prática, isso significa que cada trabalhador sustentará quase um dependente. O impacto dessa transformação será sentido em todos os cantos da vida nacional, dos serviços públicos rurais aos mercados de consumo, passando pelo sistema de previdência e pela força de trabalho.

O economista Takuya Hoshino, do Dai-ichi Life Research Institute, alerta para a espiral de declínio nas regiões rurais, onde a concentração populacional em grandes centros como Tóquio dificulta a manutenção de serviços básicos, a formação de famílias e o nascimento de crianças. Enquanto isso, as cidades também enfrentam o aumento de residentes idosos, inclusive aqueles que se mudam para áreas urbanas em busca de conveniência. Projeções do governo mostram um aumento acentuado nos domicílios unipessoais de idosos, que devem passar de 13,2% do total em 2020 para 20,6% em 2050.

Diante da escassez de mão de obra, a automação e a produtividade se tornam imperativas. Especialistas também apontam para a necessidade de repensar o conceito de “idade de trabalho”. Se a faixa etária considerada economicamente ativa for estendida dos atuais 15-64 anos para 15-69 anos, a taxa de dependência projetada para 2050 cairia para 67,8, praticamente igual à de 2020. Essa redefinição, no entanto, exigiria mudanças profundas nos sistemas de previdência e no apoio às capacidades físicas e cognitivas dos mais velhos.

Jovens como Daiki Nakada, de 24 anos, já estão moldando respostas locais. Em Akita, a prefeitura que mais encolhe e envelhece no país, Nakada trabalha com turismo e desenvolve projetos para reativar a economia local. Sua visão é que regiões como Akita, por estarem na linha de frente do desafio, podem ser os primeiros laboratórios das soluções que todo o Japão precisará adotar.

O declínio da taxa de natalidade, que caiu para 1,15 em 2024, é um fenômeno complexo. Saya Tamaki, estudante universitária de 20 anos, argumenta que, em vez de simplesmente pedir que as pessoas tenham mais filhos, o foco deve ser em apoiar aqueles que desejam ser pais, seja com assistência financeira ou com o aprimoramento das tecnologias de reprodução assistida.

Apesar dos desafios, uma pesquisa com jovens adultos mostra um desejo de viver longamente e de continuar buscando realização. Para a geração que herdará o Japão de 2050, o futuro pode não ser garantido de conforto, mas a atitude é de seguir em frente, valorizando as conexões humanas e a capacidade de se adaptar a um novo equilíbrio demográfico.

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