Protestos no México rejeitam política externa agressiva dos EUA

Manifestações no México repudiam intervenção dos EUA e defendem soberania latino-americana

Protestos ocorrem após captura de Maduro e ameaças de Trump de atacar cartéis em solo mexicano

Milhares de manifestantes tomaram as ruas da Cidade do México neste sábado em uma “Jornada Antiimperialista”, protestando contra a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos e rejeitando ameaças recentes do presidente americano, Donald Trump, de realizar operações militares em território mexicano. Os manifestantes, incluindo coletivos, sindicatos e estudantes, percorreram a Avenida Paseo de la Reforma carregando faixas com mensagens como “Fora ianques da América Latina” e “Respeito à soberania do México”, em uma clara defesa da autodeterminação dos povos da região.

A ação militar dos EUA que resultou na prisão de Maduro em Caracas, no último dia 3 de janeiro, reacendeu profundas tensões diplomáticas e memórias históricas de intervencionismo na região. Em comunicado, o governo cubano alertou que “a ameaça paira sobre todos” os países, enquanto o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou o ato como um “precedente extremamente perigoso” que relembra os piores momentos de interferência na política latino-americana. Do outro lado, líderes conservadores da região, como o argentino Javier Milei e o chileno José Antonio Kast, celebraram a queda do que chamaram de “ditadura narcoterrorista”.

O protesto no México ganha contornos ainda mais urgentes devido às declarações do presidente Trump, que na quinta-feira ameaçou “atacar os cartéis de drogas no México por terra” e sugeriu o envio de tropas americanas para combater o narcotráfico. Em uma ligação telefônica com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, Trump questionou sobre a possibilidade de presença militar dos EUA no país, proposta que foi imediatamente rejeitada. Sheinbaum afirmou que a questão “não está em discussão” e reiterou a colaboração entre as nações deve respeitar a soberania mexicana, destacando conquistas recentes como a redução em 50% do fluxo de fentanil para os Estados Unidos.

Analistas internacionais veem na operação contra Maduro e nas ameaças subsequentes a reafirmação de uma doutrina de política externa agressiva batizada por Trump de “Documento Donroe”, uma referência atualizada à Doutrina Monroe do século XIX, que estabelecia as Américas como esfera de influência exclusiva dos Estados Unidos. Esta postura já havia sido sinalizada com ações como o bloqueio naval às exportações de petróleo venezuelano e interferência em eleições em Honduras e Argentina. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deixou claro que outros governos da região, como o de Cuba, também deveriam estar preocupados.

Enquanto isso, a situação na Venezuela permanece instável. Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos em Nova York, acusados de narcoterrorismo. Quem assumiu interinamente o poder foi a vice-presidente Delcy Rodríguez, mantendo o chavismo no comando, uma decisão que o próprio governo americano apoiou por considerá-la mais pragmática. A oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado, pede eleições livres e justas, mas foi deixada de lado neste processo, causando surpresa entre seus apoiadores. Nas ruas de Caracas, o clima é de incerteza, com cidadãos estocando suprimentos, enquanto comunidades da diáspora venezolana ao redor do mundo celebram a prisão de Maduro.

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