TEPCO marca 20 de janeiro para primeiro reinício de reator desde o desastre de Fukushima
Decisão histórica ocorre após consentimento formal da província de Niigata e simboliza virada na política nuclear japonesa
A Tokyo Electric Power Company Holdings Inc. (TEPCO) decidiu reiniciar um reator nuclear na Usina de Kashiwazaki-Kariwa, a noroeste de Tóquio, no próximo dia 20 de janeiro. A data foi confirmada após a obtenção do consentimento formal do governo local, marcando o primeiro reinício de um reator operado pela TEPCO desde o acidente de Fukushima Daiichi, em 2011. O governador da província de Niigata, Hideyo Hanazumi, encontrou-se com o primeiro-ministro Sanae Takaichi e o ministro da Economia, Comércio e Indústria, Ryosei Akazawa, para comunicar a aprovação para o reinício das unidades 6 e 7 do complexo nuclear.
A usina Kashiwazaki-Kariwa, localizada na costa da província de Niigata, é a maior central nuclear do mundo em capacidade de geração e está completamente paralisada desde 2012. Seu retorno à operação é um marco significativo para a TEPCO, empresa responsável pela usina de Fukushima, e para a política energética do Japão, que reverteu gradualmente sua intenção de abandonar a energia atômica após o desastre. O governo japonês defende o uso máximo dos reatores existentes, estabelecendo a meta de que a energia nuclear represente cerca de 20% do mix elétrico nacional até 2040.
O caminho para o reinício foi longo e contornou diversos obstáculos. Os reatores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa haviam recebido aprovação de segurança dos reguladores nucleares já em 2017, mas foram impedidos de operar devido a falhas identificadas nas medidas de proteção contra ataques terroristas. A Autoridade de Regulação Nuclear (NRA) suspendeu a proibição operacional na usina apenas em 2023. Mesmo com o aval técnico, o consentimento das autoridades locais, uma etapa crucial no processo japonês, permanecia pendente.
O governador Hanazumi, ao comunicar sua difícil decisão, destacou que muitos residentes locais ainda guardam preocupações com a segurança. Em encontros com representantes do governo e da TEPCO, ele apresentou uma série de solicitações, incluindo explicações detalhadas sobre a segurança da usina, o desenvolvimento de rotas de evacuação e a melhoria contínua dos protocolos de emergência. O primeiro-ministro Takaichi, por sua vez, prometeu que seu governo garantiria que a TEPCO priorizasse o trabalho de reforço da segurança.
A sombra do acidente de Fukushima, causado por um terremoto de magnitude 9.0 e um subsequente tsunami em março de 2011, ainda pesa sobre a opinião pública. O desastre levou ao derretimento do núcleo de três reatores na usina de Fukushima Daiichi, operada pela TEPCO, e forçou a evacuação de dezenas de milhares de pessoas. Pesquisa realizada em outubro pela província de Niigata indicou que cerca de 60% dos residentes consideravam que as condições para o reinício de Kashiwazaki-Kariwa não haviam sido atendidas, refletindo a desconfiança persistente.
A TEPCO busca agora restaurar a confiança e melhorar sua saúde financeira, sobrecarregada pelos custos bilionários com a desativação de Fukushima e as compensações. A empresa afirmou que a usina Kashiwazaki-Kariwa passou por múltiplas inspeções e melhorias, incluindo a construção de novos quebra-mares, portas estanques, sistemas de filtragem atualizados e a instalação de geradores móveis adicionais para emergências. A retomada das operações na maior usina nuclear do mundo representa, portanto, não apenas uma decisão energética, mas um teste crucial para o futuro da indústria nuclear japonesa e sua relação com a sociedade.
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