História do cristianismo no Japão: a repressão tokugawa e a rebelião de Shimabara
Conflito no século XVII misturou fé cristã e revolta camponesa contra opressão feudal
Uma estátua de São Francisco Xavier em Hirado, Nagasaki, simboliza a chegada do cristianismo ao Japão em 1549. A fé cristã se espalhou rapidamente pelo sul do país, mas enfrentou repressão brutal do xogunato Tokugawa, culminando na Rebelião de Shimabara (1637-38).
O levante começou em dezembro de 1637, após décadas de tensão. Os primeiros missionários cristãos foram recebidos com interesse pelos senhores feudais (daimios), que desejavam comerciar com a Europa e obter armas. Muitos desses daimios se converteram, levando a uma rápida disseminação da religião em Kyushu.
Com o tempo, o xogunato Tokugawa, temendo a influência estrangeira, iniciou uma perseguição violenta aos cristãos. A política de supressão se intensificou com pesados impostos e proibição rigorosa da fé cristã, especialmente sob o domínio do clã Matsukura em Shimabara.
A Rebelião de Shimabara foi tanto um levante religioso de cristãos oprimidos quanto uma revolta camponesa contra a carga tributária excessiva e a fome. Liderados pelo jovem Amakusa Shirō, os rebeldes, incluindo camponeses católicos e samurais sem senhor (rōnin), resistiram por meses até serem massacrados por um grande exército tokugawa, com apoio holandês.
O saldo foi a morte de milhares de rebeldes e a intensificação da política de isolamento do Japão. O debate sobre se a rebelião foi principalmente religiosa ou econômica continua entre estudiosos, refletindo a complexidade do episódio.
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