Reconstrução lenta e desafios persistentes marcam aniversário de dois anos do terremoto

Dois anos após terremoto, 18 mil pessoas ainda aguardam reconstrução em Noto

Reconstrução enfrenta obstáculos com população envelhecida e custos elevados

Passados dois anos do devastador terremoto que atingiu a Península de Noto, na província de Ishikawa, mais de 18.000 pessoas continuam vivendo em moradias temporárias. O terremoto de magnitude 7.6 que aconteceu no dia 1º de janeiro de 2024 deixou um rastro de destruição, com 228 mortes diretamente atribuídas ao desastre e outras 463 consideradas relacionadas às suas consequências, totalizando 691 vidas perdidas. Duas pessoas ainda permanecem desaparecidas.

A reconstrução da região, que também sofreu com um tsunami que atingiu até 11,3 metros de altura, tem progredido, mas enfrenta uma série de desafios complexos. O governo e as administrações locais trabalham em um plano de “reconstrução criativa”, mas o caminho é marcado pela saída de população para outras regiões, pelo envelhecimento dos moradores e pelas dificuldades econômicas.

Para atender às famílias que não têm condições de reconstruir por conta própria, o governo está erguendo 3.055 unidades de habitação pública em dez municípios de Ishikawa e Toyama. Até o final de 2025, todos os terrenos para esses projetos foram garantidos, e a construção já começou em cinco cidades, incluindo Nanao e Hakui. As primeiras famílias devem começar a se mudar para essas novas casas no verão de 2026.

A infraestrutura crítica também está sendo restaurada. A principal rodovia da região, a Noto Expressway, já está aberta ao tráfego, e o governo trabalha para eliminar grandes desníveis e curvas perigosas, com previsão de restaurar a dirigibilidade aos níveis anteriores ao terremoto ainda em 2025. Um projeto ambicioso, batizado de “Estrada Cênica da Península de Noto”, visa transformar a costa danificada em um novo polo de atração turística.

No entanto, o processo é lento. Pesquisas com as vítimas revelam que o alto custo da construção civil e a severa escassez de mão de obra são os principais obstáculos para que as pessoas deixem os abrigos temporários. Um chefe de empresa de construção relatou que seus trabalhadores enfrentam deslocamentos de até duas horas e meia só de ida para chegar aos canteiros de obra na península. Além disso, alguns sobreviventes tiveram seus benefícios sociais cortados porque doações recebidas foram contabilizadas como renda, criando nova dificuldade burocrática.

Apesar dos desafios, há sinais de revitalização. Na cidade de Wajima, duramente atingida, nove das vinte pousadas do famoso bairro de Asaichi já reabriram as portas. Organizações não governamentais também se concentram na reconstrução dos laços sociais, inaugurando espaços comunitários como uma nova Praça das Crianças e promovendo oficinas que ajudam os moradores, especialmente os idosos, a lidar com o trauma e o isolamento.

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