Regra busca aumentar segurança em locais críticos contra ameaças de drones avançados.

Japão planeja triplicar raio de exclusão para drones ao redor de instalações sensíveis

Recomendação de especialistas responde ao avanço tecnológico que aumenta o risco de uso malicioso

Diante do rápido avanço nas capacidades dos drones, a Agência Nacional de Polícia do Japão pretende endurecer significativamente as regras para o uso desses aparelhos. Um painel de especialistas convocado pela agência recomendou a expansão do raio da zona de exclusão aérea ao redor de instalações críticas de aproximadamente 300 metros para cerca de 1.000 metros. A proposta, que deve ser transformada em projeto de lei para a sessão ordinária do Parlamento em 2026, busca dar mais tempo de reação às autoridades diante de drones cada vez mais velozes e capazes.

A legislação atual, estabelecida em 2016, já define “zonas vermelhas” sobre locais como o Gabinete do Primeiro-Ministro, o Palácio Imperial, a Dieta Nacional, aeroportos e usinas nucleares. Ao redor dessas áreas, existe uma “zona amarela” de restrição que se estende por cerca de 300 metros. O voo de drones é proibido em ambas as áreas, salvo autorizações específicas. A nova recomendação propõe ampliar justamente essa zona amarela de segurança.

O impulso para a revisão vem das capacidades tecnológicas que evoluíram drasticamente desde a criação da lei. Enquanto em 2016 a velocidade típica de um drone era de cerca de 50 km/h, modelos atuais, especialmente de origem estrangeira, podem atingir até 150 km/h. Além da velocidade, a distância de transmissão de vídeo saltou de algumas centenas de metros para até 10 km, e a capacidade de carga útil aumentou consideravelmente, com alguns modelos suportando até 30 kg, contra os 5 kg anteriores. Esses avanços elevam o temor de que os aparelhos possam ser usados para ataques remotos, transporte de materiais perigosos ou espionagem, superando a capacidade atual de resposta das forças de segurança.

Os especialistas calcularam que, mesmo com um drone voando a 150 km/h, uma zona de exclusão de 1.000 metros proporcionaria um tempo de aproximação de cerca de 24 segundos. Esse intervalo seria crucial para que a polícia pudesse ativar contramedidas, como sinais de bloqueio (jamming), para interceptar a aeronave não tripulada antes que ela alcançasse seu alvo.

O relatório também sugere mudanças nas penalidades. Atualmente, violações na zona amarela só são punidas se o operador desobedecer a uma ordem de parada dada pela polícia. A proposta recomenda que a simples violação do espaço aéreo restrito já seja passível de punição, ainda que com penalidades mais leves do que aquelas aplicadas à invasão da zona vermelha. Voar sobre uma zona vermelha sem autorização pode levar a até um ano de prisão ou multa de 500.000 ienes.

Além da expansão permanente ao redor de cerca de 470 instalações designadas em todo o país, o painel recomendou a criação de zonas de exclusão aérea temporárias. Essas áreas seriam implementadas durante a realização de grandes eventos internacionais, como cúpulas do G7, ou em cerimônias nacionais que contem com a presença de altas autoridades, como o Imperador ou a primeira-ministra.

Esta revisão regulatória ocorre em um contexto mais amplo de crescente atenção à segurança na região. Recentemente, o governo japonês aprovou um orçamento recorde para defesa, que inclui investimentos massivos em sistemas de drones para vigilância costeira. Ao mesmo tempo, incidentes como a interceptação de drones suspeitos próximos ao território japonês e a instalação de drones de vigilância norte-americanos em Okinawa destacam um ambiente de segurança regional em transformação. A medida reflete o equilíbrio que o Japão busca entre a inovação tecnológica, o uso comercial legítimo de drones e a proteção de sua infraestrutura crítica e segurança pública.

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