Regulador nuclear do Japão investiga falsificação de dados sísmicos em usina
Inspeções na sede da operadora devem ocorrer ainda em janeiro após descoberta de adulteração em informações para reativar a Usina de Hamaoka
A Autoridade de Regulação Nuclear do Japão (NRA) decidiu realizar inspeções diretas na sede da Chubu Electric Power Company ainda neste mês de janeiro. A medida é uma resposta à descoberta de que a empresa utility falsificou dados de resistência a terremotos para obter aprovação regulatória para reiniciar seus reatores nucleares.
O caso envolve as unidades 3 e 4 da Usina Nuclear de Hamaoka, localizada na província de Shizuoka. As unidades estão paralisadas desde o terremoto e tsunami de 2011. Durante o processo de revisão para reativação, a Chubu Electric admitiu ter selecionado intencionalmente dados favoráveis e subestimado a vibração sísmica máxima que as usinas poderiam enfrentar durante um grande terremoto. A empresa agiu assim para fazer com que o projeto de resistência sísmica dos reatores fosse considerado adequado.
Em reunião realizada na quarta-feira, a NRA criticou veementemente a conduta da empresa, classificando-a como “extremamente grave”. Os reguladores afirmaram que a Chubu Electric falsificou e adulterou avaliações, fabricando dados relacionados à segurança. Devido à gravidade do caso, a autoridade decidiu não aguardar o resultado da investigação interna da empresa e suspendeu imediatamente o processo de revisão para reativação.
Além de suspender a revisão, a NRA planeja enviar inspetores para realizar uma “inspeção de regulamentação nuclear” tanto na sede da empresa quanto na própria Usina de Hamaoka. Essas inspeções têm caráter obrigatório, e a recusa em cooperar pode resultar em penalidades. A expectativa é que os detalhes desta ação, incluindo a exigência de um relatório formal da Chubu Electric, sejam definidos na próxima reunião ordinária do comitê, marcada para o dia 14 de janeiro.
Este não é um incidente isolado no setor nuclear japonês. Em 2020, um caso similar veio à tona na Usina Nuclear de Tsuruga 2, operada pela Japan Atomic Power Company. Na ocasião, descobriu-se que registros geológicos de pesquisas de perfuração no local foram reescritos sem explicação, alterando descrições de solo de “não consolidado” para “consolidado” — uma mudança que afeta diretamente a avaliação do risco de falhas sísmicas ativas. A revisão de segurança daquela unidade foi interrompida por mais de dois anos devido ao escândalo.
A Usina de Hamaoka está localizada em uma região de alto risco, sobre a zona sísmica de Nankai Trough, onde se espera a ocorrência de um grande terremoto no futuro. Por isso, a capacidade da instalação de resistir a um forte tremor é uma questão de grande preocupação pública e de segurança nacional. A decisão da NRA reflete a intenção de aplicar um escrutínio mais rigoroso e ações punitivas imediatas diante de violações que comprometem a integridade do processo de segurança.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






