Izakaya em Tóquio cria polêmica ao limitar entrada por idade
Estabelecimentos em Shibuya adotam restrições etárias para moldar o perfil da clientela e o ambiente interno
Uma filial do conhecido izakaya (pub japonês) Tori Yaro, no movimentado bairro de Shibuya, em Tóquio, está gerando debate ao implantar uma política de restrição de idade para entrada. O estabelecimento, localizado em Dogenzaka, exibe uma placa na entrada informando que a admissão é limitada a clientes com idades entre 29 e 39 anos, descrito como um “pub para menores de 40”. A medida, conforme explicado por representantes da rede, visa garantir que a experiência oferecida – com preços baixos, ambiente casual e barulhento – seja apreciada por seu público-alvo principal, os jovens.
Apesar da sinalização ostensiva, a política não é absoluta. Em letras menores, a placa esclarece que clientes acima da idade permitida podem entrar se estiverem acompanhados por alguém com 39 anos ou menos. Também são feitas exceções para familiares ou amigos de funcionários e parceiros de negócios. Um representante de relações públicas da rede, Toshihiro Nagano, afirmou que a decisão partiu da observação de que clientes mais velhos tendem a reclamar do nível de barulho, incompatível com a atmosfera que o local deseja manter. “Decidimos limitar quem entra para que todos possam ir para casa felizes com a experiência que tiveram”, disse.
A prática, no entanto, não é isolada. Na mesma região de Shibuya, o izakaya Yaoya Ba, de perfil mais sofisticado, adotou uma restrição na outra ponta etária, estabelecendo uma idade mínima de 25 anos para entrada. O proprietário, Masayuki Segawa, declarou que o objetivo é ser um local onde clientes adultos possam relaxar e aproveitar a refeição, permitindo que pessoas que frequentavam Shibuya há 10 ou 20 anos possam desfrutar do local novamente. Lá, menores de 25 anos só entram se acompanhados por alguém mais velho.
Os dois estabelecimentos já possuem, naturalmente, públicos e faixas de preço distintas. Enquanto no Tori Yaro é possível conseguir um coquetel e três petiscos por cerca de 2.000 ienes (aproximadamente R$ 65), no Yaoya Ba o mesmo valor pode cobrir apenas um prato. A decisão de formalizar regras etárias, porém, dividiu a opinião pública online no Japão. Enquanto alguns elogiam a medida como uma forma de reduzir atritos e garantir a experiência esperada, outros a classificam como discriminatória e questionam sua necessidade.
O debate ganhou nuances sociais com a menção à “Geração do Inverno do Emprego”, um grupo que enfrentou um mercado de trabalho extremamente difícil entre os anos 1990 e 2000. Para muitos desses indivíduos, agora na casa dos 40 ou 50 anos, opções de jantar acessíveis ainda são uma necessidade, desafiando a premissa de que pessoas mais velhas não buscam restaurantes de baixo custo.
Em termos legais, a questão permanece em uma área cinzenta. Quando questionado sobre o que fariam se alguém fora da faixa etária solicitasse uma mesa, o Yaoya Ba disse que recomendaria um de seus restaurantes afiliados na região. Já o Tori Yaro admitiu que, na prática, após uma conversa, clientes acima de 40 anos podem ser admitidos se afirmarem estar cientes e confortáveis com o ambiente barulhento. Culturalmente, no entanto, pedir para que uma regra seja flexibilizada não é comum no Japão, fazendo com que, para a maioria, a placa funcione como uma proibição definitiva.
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