Restrições de viagem da China impactam vendas duty-free no Japão
Queda no fluxo de turistas chineses em dezembro causa retração significativa nas principais redes de lojas de departamento
As vendas duty-free nas principais operadoras de lojas de departamento do Japão registraram uma queda acentuada em dezembro, evidenciando como as tensões geopolíticas prolongadas com a China estão pressionando o setor de varejo. A retração no número de visitantes chineses, devido a restrições de viagem impostas por Pequim, refletiu-se diretamente nos resultados do final do ano.
Nas lojas Daimaru e Matsuzakaya, da J Front Retailing, as vendas livres de impostos despencaram 17% na comparação com o mesmo período do ano anterior, arrastando as vendas totais para uma queda de 1,9% no mês. A Takashimaya relatou um declínio de 11% nas vendas tax-free, atribuindo o resultado à queda nos gastos dos turistas estrangeiros, limitando o crescimento total das vendas da empresa a 4,1%, apesar da demanda doméstica resiliente.
O grupo H2O Retailing informou que as vendas para clientes chineses caíram aproximadamente 40% no mês passado, citando a redução de voos da China para o Aeroporto Internacional de Kansai, próximo a Osaka, o que levou a uma queda geral de 3,6% em suas vendas. A Matsuya reportou uma queda de cerca de 11% em sua loja principal em Ginza, em Tóquio, devido à ausência de turistas da China. Já a Isetan Mitsukoshi Holdings registrou uma retração de 14% nas vendas duty-free em suas lojas domésticas, puxando as vendas totais para baixo em 0,5%.
Os visitantes chineses têm sido um motor crucial para a recuperação econômica do Japão desde a reabertura das fronteiras após a pandemia de COVID-19, contribuindo com cerca de um quinto da receita turística nacional, que foi de ¥8,1 trilhões. Essa dependência agora se tornou uma vulnerabilidade, expondo os varejistas às mudanças nos hábitos de viagem dos chineses conforme as fricções políticas ressurgem.
O crescimento no número de visitantes da China desacelerou em novembro para seu ritmo mais fraco em quase quatro anos, após Pequim restringir as viagens em resposta a comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan. A China também ordenou que as companhias aéreas reduzissem os voos para o Japão até março, uma medida que pode significar mais dificuldades nos próximos meses para os varejistas e a indústria do turismo japonesa.
O turismo permanece um dos principais motores de crescimento do Japão, e um recuo prolongado no fluxo de visitantes arrisca prejudicar os lucros corporativos e a recuperação econômica mais ampla. O Japão poderia perder até ¥1,2 trilhão em receita turística este ano se as restrições de viagem persistirem, de acordo com análise do Japan Research Institute.
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