Rússia ataca com míssil avançado; Zelenskyy busca apoio de Trump em meio a negociações

Ataque russo com míssil hipersônico atinge Ucrânia enquanto paz é negociada

Ofensiva noturna com drones e novo míssil Oreshnik causa mortes e deixa meio milhão sem energia em Kiev; Zelenskyy busca apoio firme de Trump

A Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia em semanas, utilizando seu mais avançado míssil hipersônico, o Oreshnik, e uma enxurrada de drones. O ataque, que ocorreu na noite de quinta-feira, 8 de janeiro, resultou em pelo menos quatro mortos na capital Kiev e deixou mais de meio milhão de pessoas sem eletricidade e aquecimento em pleno inverno. A ofensiva acontece em um momento crítico, enquanto o presidente Volodymyr Zelenskyy busca uma nova reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para garantir apoio a um plano de paz que inclua garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia.

De acordo com a Força Aérea ucraniana, as forças russas lançaram 36 mísseis e 242 drones contra o país. O Ministério da Defesa russo confirmou o uso do míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, justificando o ataque como uma retaliação por um suposto ataque de drones ucranianos à residência do presidente Vladimir Putin no final de dezembro, alegação que tanto a Ucrânia quanto os Estados Unidos rejeitaram. O míssil, que viaja a uma velocidade de aproximadamente 13.000 km/h, tem como característica principal a capacidade de carregar múltiplas ogivas e é considerado praticamente impossível de interceptar com os sistemas de defesa atuais.

O alvo do míssil Oreshnik teria sido uma grande instalação de armazenamento de gás subterrâneo perto de Stryi, na região ocidental de Lviv, a menos de 100 quilômetros da fronteira com a Polônia, um país membro da Otan. O prefeito de Lviv, Andriy Sadovyi, relatou uma série de poderosas explosões na cidade. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, classificou o ataque perto da fronteira da UE e da Otan como uma “grave ameaça à segurança no continente europeu” e anunciou a convocação de reuniões de emergência no Conselho da Otan e no Conselho de Segurança da ONU.

Em Kiev, a situação foi igualmente grave. O ataque matou quatro pessoas, incluindo um socorrista médico, e feriu pelo menos 22. Partes de um drone danificaram um prédio de vários andares no distrito de Dnipro, iniciando um incêndio. O prefeito Vitali Klitschko informou que o fornecimento de água e eletricidade foi interrompido em várias áreas da capital. Horas antes do ataque, o presidente Zelenskyy já havia alertado a nação sobre a possibilidade de uma nova ofensiva massiva russa.

Este ataque amplo ocorre em um contexto diplomático tenso. Zelenskyy afirmou, por meio do WhatsApp, que deseja se encontrar novamente com o presidente Trump em breve para avaliar sua abertura a uma proposta ucraniana que exige que Washington garanta a segurança de Kiev por mais de 15 anos no caso de um cessar-fogo. Enquanto isso, a Rússia rejeitou veementemente as discussões sobre garantias de segurança ocidentais para a Ucrânia. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, advertiu que qualquer implantação militar ocidental na Ucrânia seria considerada um “alvo legítimo” para as forças armadas russas.

A escalada militar também segue a apreensão de um petroleiro de bandeira russa pela Guarda Costeira dos EUA, carregando petróleo venezuelano embargado, um ato que Moscou condenou veementemente. Paralelamente, em meio a temperaturas congelantes, a estratégia russa de atacar a infraestrutura energética ucraniana continua, com um ataque maciço de drones dias antes tendo deixado a maioria dos consumidores nas regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia sem energia. Um ataque anterior em Dnipro, na noite de 6 de janeiro, feriu sete pessoas, incluindo duas crianças.

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