Gigantes da IA chinesa marcam presença na bolsa de Hong Kong com IPOs bilionários
Startups conhecidas como ‘AI tigers’ atraem investidores apesar de prejuízos e tensões geopolíticas
A confiança dos investidores no setor de inteligência artificial da China atinge novos patamares com os estrondosos lançamentos na bolsa de valores de Hong Kong de duas de suas principais startups, a MiniMax e a Zhipu AI. As empresas, que fazem parte de um grupo conhecido como “AI tigers”, conseguiram levantar centenas de milhões de dólares, refletindo o otimismo com o avanço tecnológico chinês, mesmo em meio a desafios como controles de exportação norte-americanos e a busca pela lucratividade.
A MiniMax, com sede em Xangai, teve um desempenho particularmente espetacular em sua estreia na bolsa de Hong Kong no dia 9 de janeiro. Suas ações fecharam o primeiro dia de negociação a HK$ 345, uma valorização de 109% em relação ao preço inicial de oferta de HK$ 165. A empresa levantou o equivalente a US$ 618 milhões (HK$ 4,8 bilhões) com a oferta pública inicial, que foi superassinada por investidores individuais em quase 1.240 vezes. Esse sucesso fez do fundador e CEO Yan Junjie, de 36 anos, um bilionário, com um patrimônio líquido estimado em US$ 3,2 bilhões.
Um dia antes, a rival Zhipu AI, também conhecida como Knowledge Atlas Technology, havia feito sua estreia, levantando US$ 558 milhões. Suas ações subiram cerca de 13% no primeiro dia, um desempenho sólido, ainda que mais modesto comparado ao da MiniMax. Ambas as empresas são consideradas pioneiras no desenvolvimento de modelos de linguagem grandes (LLMs) na China e representam a primeira leva de desenvolvedoras do tipo a buscar uma listagem pública em Hong Kong.
O apetite do mercado pela MiniMax é atribuído ao seu foco mais global e em clientes do setor privado, que pagam para usar seus modelos de geração de fala, imagem e vídeo. Em contraste, a Zhipu AI gera uma parte significativa de suas vendas com empresas locais e órgãos governamentais, que costumam demandar serviços personalizados com custos de desenvolvimento mais altos. Analistas também destacam que, ao contrário da Zhipu AI que está na lista de restrições comerciais dos EUA, a MiniMax até o momento não enfrenta essas barreiras, o que é um atrativo para a base internacional de investidores de Hong Kong.
Por trás do brilho das ofertas públicas, no entanto, estão operações que ainda queimam dinheiro em velocidade acelerada. A MiniMax, fundada em 2022, relatou receita de US$ 53,4 milhões nos primeiros nove meses de 2025, um salto de quase três vezes em relação ao ano anterior. Suas perdas líquidas, porém, inflaram quase 70% no mesmo período, chegando a US$ 512 milhões, devido aos pesados gastos em pesquisa e desenvolvimento. A empresa tem mais de 200 milhões de usuários cumulativos em todo o mundo e conta com gigantes como o estúdio de jogos miHoYo (criador de Genshin Impact) entre seus clientes e investidores iniciais.
As IPOs acontecem em um momento de intensa atividade para o mercado de capitais de Hong Kong, que recuperou o título de principal praça global para novas ofertas em 2025. Uma onda de empresas de tecnologia e semicondutores, impulsionada pelo apoio de Pequim ao setor doméstico de IA, está acessando o mercado para financiar seu crescimento. Especialistas veem essas listagens como uma forma crucial para as startups chinesas de IA construírem um ecossistema resiliente e autossuficiente, minimizando o impacto das restrições tecnológicas impostas por Washington.
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