Takaichi avalia convite para ‘Conselho da Paz’ de Trump para reconstruir Gaza.

Japão recebe convite de Trump para integrar conselho internacional sobre reconstrução de Gaza

Primeira-ministra Sanae Takaichi avalia participação no “Conselho da Paz”, um corpo proposto pelos EUA que gera debates sobre seu papel global

O governo do Japão confirmou que a primeira-ministra Sanae Takaichi recebeu um convite formal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um novo corpo internacional proposto para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Japão, Takaichi está avaliando a participação no chamado “Conselho da Paz” (Board of Peace).

O conselho, anunciado por Trump na semana passada como parte da segunda fase de um plano americano de 20 pontos para Gaza, tem gerado controvérsia. Analistas internacionais temem que seu papel possa ser expandido para incluir outros conflitos globais, eventualmente funcionando como uma alternativa às Nações Unidas. Trump atuará como presidente do conselho.

Mais de 60 países já teriam recebido convites, incluindo Israel, Rússia, nações europeias e árabes, segundo a mídia israelense. Líderes como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente russo Vladimir Putin estão entre os convidados. Um funcionário do governo japonês afirmou que o primeiro encontro do conselho pode ocorrer durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ainda esta semana.

O convite chega em um momento de cautela internacional. A França, por exemplo, declarou através de um auxiliar que o presidente Emmanuel Macron dificilmente participará nesta fase. A China, que também recebeu o convite, limitou-se a comentar que “está avaliando” o convite americano.

O estatuto do conselho, cujo rascunho foi obtido pela Associated Press, concentra grande poder nas mãos de Trump. O documento estabelece que as decisões do conselho devem ser aprovadas pelo presidente americano, que também tem o poder de selecionar os países convidados. Os mandatos dos países membros seriam de três anos ou menos, renováveis pelo presidente do conselho. No entanto, o rascunho prevê que países que contribuírem com mais de um bilhão de dólares para o conselho garantam uma vaga permanente, sem limite de mandato.

A reação de outros aliados americanos tem sido cautelosa. Enquanto o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán confirmou sua participação, países como o Canadá disseram que os detalhes financeiros e operacionais ainda estão sendo discutidos. O governo do Reino Unido também buscou mais esclarecimentos sobre o funcionamento do painel.

Paralelamente ao Conselho da Paz, a Casa Branca anunciou a formação de um “Conselho Executivo para Gaza”, responsável por implementar o trabalho no terreno. Este conselho inclui figuras como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan. A nomeação de representantes da Turquia e do Catar para este órgão executivo gerou objeções públicas de Israel, que afirmou não ter sido consultado sobre a composição e considerou algumas escolhas “contrárias à sua política”.

A decisão da primeira-ministra Takaichi é aguardada em um contexto geopolítico sensível, onde o Japão tradicionalmente equilibra seus laços estreitos com os Estados Unidos e seu histórico apoio ao sistema multilateral das Nações Unidas.

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