Takaichi traça política energética com foco em nuclear e visão futura
Primeira-ministra japonesa define prioridades para atingir autossuficiência, reativando reatores e investindo em fusão, enquanto impõe limites a megausinas solares
A política energética do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi começa a tomar forma, com um foco claro na reativação de reatores nucleares convencionais e no desenvolvimento de tecnologias futuras como a fusão nuclear. Em contrapartida, fontes renováveis como a energia solar em larga escala recebem menos atenção, em uma estratégia que visa tornar o Japão 100% autossuficiente em energia.
Nos seus primeiros dois meses no cargo, Takaichi, uma conhecida defensora da energia nuclear, tem enfatizado a necessidade de retomar a operação de reatores antigos para lidar com o aumento projetado no consumo de eletricidade, especialmente por parte de data centers. No entanto, detalhes sobre os custos dessa reativação em larga escala ainda não foram totalmente apresentados.
O Japão possui 60 reatores nucleares. Destes, 24 estão em processo de descomissionamento, 14 já foram reativados, quatro têm permissão para retomar e oito estão sob análise de segurança. Recentemente, os governadores de Hokkaido e Niigata aprovaram a reativação das usinas de Tomari e Kashiwazaki-Kariwa, respectivamente, esta última marcando o primeiro retorno de uma planta da Tepco desde o desastre de Fukushima em 2011. Essas aprovações, contudo, vêm acompanhadas de exigências por investimentos em infraestrutura local e revitalização regional, o que deve aumentar os custos da aposta nuclear do governo.
Paralelamente ao esforço com reatores convencionais, Takaichi mantém um olho na fusão nuclear, vista como uma alternativa mais segura por não produzir lixo radioativo de longa duração. Apesar do potencial, a viabilidade comercial da fusão ainda é distante, com projetos como o FAST (Fusion by Advanced Superconducting Tokamak) visando demonstrar a geração de energia apenas na década de 2030.
No campo das renováveis, a exceção à menor ênfase é a energia geotérmica, que recebeu atenção no acordo de coalizão com o Partido da Inovação do Japão. O país tem um potencial geotérmico estimado em 23 gigawatts, o terceiro maior do mundo, mas sua participação na matriz elétrica atual é de apenas 0,3%.
Já a energia solar, especialmente projetos de megausinas, tem sido alvo de críticas da administração Takaichi. A primeira-ministra se opôs a um desenvolvimento no Pântano Kushiro, em Hokkaido, e o governo anunciou o aperto das regras ambientais para novos projetos megasolares a partir de 2027. Takaichi defende, porém, o foco em tecnologias desenvolvidas no Japão, como as células solares de perovskita, mais finas e leves que os painéis de silício tradicionais.
Sobre a energia eólica, tanto terrestre quanto offshore – que era o carro-chefe do plano do ex-premiê Shigeru Ishiba –, Takaichi tem falado pouco. Enquanto isso, o gás natural liquefeito (GNL), que respondeu por quase 30% da eletricidade japonesa em 2024, continua sendo uma peça-chave, com esforços para aumentar as importações dos Estados Unidos e manter o acesso ao GNL russo do projeto Sakhalin-2.
Os dados do Ministério da Economia, Comércio e Indústria mostram que, no ano fiscal de 2024, as energias renováveis forneceram 23% da geração de eletricidade do Japão, a nuclear 9,4% e a térmica (incluindo GNL e carvão) 67,5%. A meta do último Plano Estratégico de Energia, aprovado sob Ishiba, era elevar a participação das renováveis para 40-50% até a década de 2040, mas a direção de Takaichi parece seguir um caminho ligeiramente diferente, centrado na segurança energética e na redução da dependência de importações.
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