Primeira-ministra do Japão não enviará ministros a cerimônia sobre ilhas disputadas
Decisão de Sanae Takaichi contrasta com promessa de campanha e busca fortalecer laços com a Coreia do Sul
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, decidiu não enviar nenhum ministro de seu gabinete para a cerimônia anual do Dia de Takeshima, realizada na província de Shimane no próximo domingo. As ilhotas, chamadas de Takeshima no Japão e Dokdo na Coreia do Sul, estão atualmente sob controle efetivo sul-coreano. Em vez de um ministro, o governo será representado por um vice-ministro parlamentar do Gabinete, mantendo a prática dos anos anteriores.
Durante a campanha para a presidência do Partido Liberal Democrata no ano passado, Takaichi defendia o envio de um ministro ao evento como forma de reafirmar a posição japonesa sobre o território, independentemente de possíveis reações negativas de Seul. No entanto, após assumir o cargo, a primeira-ministra tem priorizado a aproximação com a Coreia do Sul. Em outubro, ela se reuniu com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung em Gyeongju, onde concordaram em construir relações bilaterais voltadas para o futuro. Em janeiro, os líderes voltaram a se encontrar em Nara, cidade natal de Takaichi, onde participaram de uma sessão de tambores.
O contexto geopolítico também tem impulsionado a cooperação entre Tóquio e Seul. Diante do fortalecimento da cooperação entre China, Rússia e Coreia do Norte, e da pressão dos Estados Unidos para que aliados aumentem seus gastos com defesa, os dois países consideram essencial aprofundar a parceria em segurança. No mês passado, a Força Aérea de Autodefesa do Japão forneceu combustível a aeronaves da Força Aérea Sul-Coreana, uma ação inédita que simboliza o novo nível de cooperação bilateral.
“Não há necessidade de enviar um ministro à cerimônia neste momento em que as relações Japão-Coreia do Sul estão em boa fase”, afirmou uma fonte do governo japonês.
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