Tensão aumenta entre EUA e Cuba após ameaça de Trump de cortar fornecimento de petróleo venezuelano.

Trump ameaça cortar fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba e sugere acordo

Presidente cubano responde que nação é livre e soberana e que ninguém dita suas ações

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre Cuba ao declarar que nenhum petróleo ou dinheiro da Venezuela chegará mais à ilha, sugerindo que o governo comunista feche um acordo com Washington. A ameaça, feita através da plataforma Truth Social, gerou uma resposta imediata e enfática do presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, que reafirmou a soberania de seu país.

Em sua publicação, Trump foi direto: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO INDO PARA CUBA – ZERO! Eu sugiro fortemente que eles façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”. Ele acrescentou que Cuba viveu “por muitos anos, com grandes quantidades de PETRÓLEO e DINHEIRO da Venezuela”. O presidente americano não detalhou os termos de um possível acordo nem as consequências específicas para Cuba caso ignore o ultimato.

A reação cubana foi rápida. O presidente Miguel Diaz-Canel respondeu em uma rede social: “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer”. Ele continuou, afirmando que Cuba “não ataca; foi atacada pelos EUA por 66 anos, e não ameaça; se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, também reafirmou o direito do país de importar combustível de qualquer fornecedor disposto a exportá-lo, sem interferência externa.

O contexto imediato dessa escalada retórica é a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA no início de janeiro. A Venezuela tem sido o principal fornecedor de petróleo para Cuba, enviando uma média de 26.500 barris por dia no ano passado, o que cobria cerca de metade do déficit de petróleo da ilha. Dados de transporte marítimo indicam que nenhuma carga partiu de portos venezuelanos para Cuba desde a captura de Maduro, devido a um rigoroso bloqueio petrolífero americano.

A tensão não é apenas verbal. O governo Trump já confiscou pelo menos cinco petroleiros com petróleo sancionado da Venezuela destinado a Cuba, agravando uma crise de combustível e eletricidade que já assola a ilha. Durante a operação que capturou Maduro, 32 membros das forças armadas e dos serviços de inteligência cubanos, que integravam detalhes de segurança do líder venezuelano, foram mortos. Trump comentou o episódio, afirmando que a Venezuela “não precisa mais de proteção” desses elementos.

Enquanto isso, os EUA e o governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodriguez, estão progredindo em um acordo de US$ 2 bilhões para fornecer até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos Estados Unidos, com os depósitos sendo supervisionados pelo Tesouro americano. Este acordo é visto como um teste do novo relacionamento entre Washington e Caracas após a queda de Maduro.

Do lado cubano, a população já sofre com graves privações. A economia da ilha é debilitada por apagões prolongados, e há escassez crônica de alimentos, combustível e medicamentos. A situação tem levado a um êxodo recorde de cubanos, principalmente para os Estados Unidos, nos últimos cinco anos. Alguns cidadãos, como a atendente de estacionamento Maria Elena Sabina, de 58 anos, clamam por mudanças rápidas diante de tanto sofrimento. Outros, como o vendedor Alberto Jimenez, de 45 anos, dizem não se intimidar com as ameaças de Trump.

Com o fechamento do fornecimento venezuelano, Cuba busca alternativas. O México emergiu nas últimas semanas como um fornecedor crítico, embora em volumes ainda pequenos. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que seu país se tornou um “fornecedor importante” de petróleo bruto para Cuba após os recentes eventos políticos na Venezuela.

Apesar da narrativa de Trump de que Cuba está “pronta para cair”, avaliações de inteligência dos EUA citadas pela Reuters pintam um quadro complexo. Embora reconheçam que setores-chave da economia cubana estão severamente tensionados, as avaliações não oferecem suporte claro para a previsão de um colapso iminente do governo.

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