Líder sindical japonesa defende mudanças estruturais para avanço da igualdade de gênero
Tomoko Yoshino, presidente da Rengo, critica costumes enraizados e pede ação no setor econômico
Tomoko Yoshino, presidente da Confederação Sindical Japonesa (Rengo), afirmou que são necessárias mudanças em uma ampla gama de setores para superar os profundamente enraizados papéis de gênero e alcançar a igualdade de gênero no país. Em entrevista recente, a primeira mulher a liderar a maior organização sindical do Japão, com cerca de 7 milhões de membros, destacou a urgência de se levar o tema mais a sério no âmbito econômico.
Yoshino apontou que, no Japão, a proporção de mulheres em cargos de gestão continua baixa e o número daquelas que ascendem a posições no conselho de administração é pequeno. Ela classificou a situação como decepcionante, especialmente considerando o aumento no número de famílias com dupla renda e a maior participação feminina na força de trabalho.
A líder sindical identificou que existe uma consciência e costumes profundamente arraigados sobre os papéis de gênero na sociedade japonesa. “As mulheres frequentemente arcam com responsabilidades como esposa, nora ou filha”, disse. No ambiente de trabalho, essa dinâmica se traduz em mulheres sendo frequentemente designadas para tarefas como servir chá, realizar trabalhos diversos e prestar suporte, em vez de funções centrais e de liderança.
Outro ponto crítico destacado por Yoshino é a suspensão desproporcional da carreira profissional das mulheres devido à realocação profissional de seus cônjuges, um fator que impacta significativamente sua trajetória profissional.
Reeleita para um terceiro mandato à frente da Rengo em 2025, Yoshino tem sua atuação avaliada positivamente por iniciativas como a promoção de aumentos salariais nas negociações anuais entre sindicatos e empresas (shunto) e seus esforços pela igualdade de gênero. Em um contexto político onde a Rengo, tradicionalmente alinhada a partidos de oposição, vê sua influência potencialmente aumentar diante do governo minoritário da primeira-ministra Sanae Takaichi, a voz de Yoshino ganha ainda mais relevância na defesa de pautas trabalhistas e sociais.
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