Tribunal francês condena autores de boatos sobre gênero de Brigitte Macron

França condena dez pessoas por assédio virtual contra Brigitte Macron

Veredito histórico combate campanha de difamação que espalhou falsas teorias sobre a primeira-dama francesa

Um tribunal de Paris condenou, nesta segunda-feira (05/01), dez pessoas por assédio e difamação online contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron. Os réus, oito homens e duas mulheres com idades entre 41 e 65 anos, foram considerados culpados por espalhar alegações falsas e maliciosas sobre a identidade de gênero da esposa do presidente Emmanuel Macron, além de insinuações relacionadas à diferença de idade do casal.

O juiz Thierry Donard classificou os comentários publicados nas redes sociais como “particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos”. Os conteúdos falsos, que incluíam a afirmação de que Brigitte Macron teria nascido homem e insinuações de pedofilia, chegaram a ser visualizados dezenas de milhares de vezes. O magistrado concluiu que as publicações repetidas tiveram “efeitos nocivos cumulativos” e que os acusados agiram com a intenção clara de causar danos.

As sentenças aplicadas variaram conforme a gravidade e o envolvimento de cada um. Um réu foi condenado a seis meses de prisão, enquanto oito receberam penas suspensas de entre quatro e oito meses. Todos os dez condenados serão obrigados a participar de um treinamento obrigatório de conscientização sobre cyberbullying e a pagar, em conjunto, uma indenização de 10.000 euros por danos morais à primeira-dama. Os considerados mais influentes na disseminação das campanhas de ódio também tiveram o uso de suas contas em redes sociais suspenso por seis meses.

Em entrevista televisionada no domingo, véspera do veredito, Brigitte Macron explicou que decidiu recorrer à Justiça para “dar um exemplo” na luta contra o assédio online. A primeira-dama, que não compareceu ao julgamento realizado em outubro, tem afirmado que os boatos afetaram profundamente a si mesma e a sua família.

Durante o processo, a filha de Brigitte, Tiphaine Auzière, testemunhou sobre o impacto devastador da campanha de difamação. Ela descreveu uma “deterioração” da vida de sua mãe, que não consegue ignorar “as coisas horríveis que foram ditas sobre ela”. O assédio, segundo o depoimento, se estendeu a toda a família, incluindo os netos da primeira-dama.

Alguns dos réus alegaram em tribunal que seus comentários tinham intenção “satírica” ou “humorística”, defendendo sua liberdade de expressão. No entanto, o tribunal não aceitou essa defesa, considerando a natureza maliciosa, repetitiva e prejudicial das publicações.

O caso é a ponta do iceberg de uma onda de teorias conspiratórias que circulam há anos, principalmente em fóruns online de extrema-direita. Uma das versões falsas afirma que Brigitte Macron teria nascido com o nome de Jean-Michel Trogneux, que na verdade é o nome de seu irmão. Para combater a disseminação global dessas inverdades, o casal presidencial também moveu uma ação por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora digital conservadora Candace Owens.

A decisão judicial francesa ocorre em um momento em que o governo de Emmanuel Macron busca reforçar a proteção digital, especialmente de menores, e enviar uma mensagem clara sobre a responsabilidade no espaço virtual.

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