Trump confirma ataque a instalação de drogas na Venezuela em escalada de pressão

EUA realizam primeiro ataque terrestre em território venezuelano

Presidente Donald Trump confirma destruição de instalação ligada ao narcotráfico em nova fase da campanha de pressão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que forças americanas destruíram uma importante instalação ligada ao narcotráfico na Venezuela. A ação, descrita como um ataque a uma área de cais onde barcos eram carregados com drogas, representa o primeiro ataque terrestre norte-americano em território venezuelano desde o início de uma ampla campanha militar na região.

Trump fez a revelação durante uma coletiva de imprensa em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, nesta segunda-feira, 29 de dezembro, onde recebia o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “Houve uma grande explosão na área do cais onde eles carregam os barcos com drogas”, afirmou o presidente americano. “Atingimos todos os barcos e agora atingimos a área… e ela não existe mais.” Ele se recusou a detalhar se a operação foi conduzida pelas Forças Armadas ou pela Agência Central de Inteligência (CIA).

A confirmação veio após dias de especulação. Na última sexta-feira, durante uma entrevista à rádio WABC de Nova York, Trump havia mencionado de forma casual que os EUA haviam “eliminado” uma “grande fábrica ou uma grande instalação de onde saem os barcos” há duas noites, sem inicialmente nomear a Venezuela. Fontes do governo americano citadas pelo jornal The New York Times posteriormente confirmaram que a referência era a uma instalação no país sul-americano.

Até então, a campanha militar dos Estados Unidos, batizada de Operação Southern Spear (Lança do Sul), limitava-se a ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais no Caribe e no Pacífico Oriental. De acordo com números divulgados, essas ações resultaram na destruição de cerca de 30 barcos e na morte de mais de 100 tripulantes. O novo ataque terrestre sinaliza uma significativa escalada tática e uma nova fase de pressão sobre o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O governo da Venezuela ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ataque alegado por Trump. Da mesma forma, o Pentágono não emitiu um comunicado confirmando a operação. A tensão entre Washington e Caracas tem se intensificado desde o verão, quando os Estados Unidos deslocaram um grande contingente aéreo e naval para o Caribe, incluindo o moderno porta-aviões USS Gerald R. Ford. Os EUA também apreenderam navios petroleiros venezuelanos e impuseram um bloqueio marítimo, medidas que o governo Maduro classifica como “ameaças” e parte de uma tentativa de promover uma mudança de regime.

Trump vinha alertando há semanas que autorizaria ataques a alvos em terra como parte de sua ofensiva, que tem como foco declarado o combate ao Cartel de Los Soles, organização que a administração americana acusa de ser dirigida pelo próprio governo venezuelano. Em outubro, o presidente já havia confirmado ter autorizado a CIA a realizar operações secretas na Venezuela. Analistas apontam que, além do combate ao narcotráfico, os objetivos da campanha incluem pressionar por uma mudança de poder em Caracas e assegurar o controle sobre as vastas reservas de petróleo do país.

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