Turistas esculpem nomes em bambus do Fushimi Inari, danificando centenas de árvores.

Vandalismo ameaça os icônicos bambus do santuário Fushimi Inari, em Kyoto

A prática de entalhar nomes e mensagens em árvores, especialmente por turistas, tem causado danos significativos à paisagem e à saúde das plantas no local sagrado.

O Fushimi Inari Taisha, um dos santuários xintoístas mais fotografados e visitados do Japão, está enfrentando um problema grave de vandalismo. Visitantes, em grande número estrangeiros, estão entalhando seus nomes, iniciais, datas e até corações nos troncos dos bambus que margeiam as trilhas do complexo religioso. A prática, além de desfigurar a beleza natural do local, coloca em risco a saúde das árvores, que podem murchar, apodrecer e até tombar.

Os danos são particularmente visíveis nas proximidades do Fushimi Kandara, um sub-santuário localizado a meio caminho da montanha. De acordo com moradores locais, como Akira Nakamura, que possui terras herdadas de sua família ao longo da trilha, mais de cem árvores já foram danificadas. A situação se repete em outra atração famosa de Kyoto: o bosque de bambus de Arashiyama, onde no ano passado cerca de 350 árvores foram alvo de entalhes similares.

As autoridades têm adotado medidas paliativas para conter o problema, como cobrir os gravames com fitas verdes ou, em casos extremos, cortar trechos inteiros de bambu para remover os alvos mais acessíveis. No entanto, essas ações acabam por comprometer a densa e exuberante paisagem natural que torna esses locais tão especiais. A coordenação de medidas mais amplas no Fushimi Inari é complicada, pois as áreas de bambu atingidas estão espalhadas por pequenos lotes de terra de propriedades privadas.

Embora uma parte significativa dos grafites esteja em caracteres não japoneses, relatos também apontam a presença de vandalismo em idioma local. A discussão reforça a percepção de que Kyoto, como destino turístico internacional de grande apelo, precisa lidar com os impactos negativos do excesso de visitantes e de comportamentos inadequados. A preservação desses patrimônios naturais e culturais depende da consciência e do respeito de todos que os visitam.

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