IA generativa começa a impactar renda de artistas e criativos no Japão
Pesquisa inédita com 25 mil profissionais revela cenário de pressão por custos e prazos mais curtos
Uma pesquisa abrangente realizada com profissionais da indústria criativa japonesa revela um impacto econômico tangível e preocupante da inteligência artificial generativa. Divulgado nesta terça-feira pela Liga dos Freelancers do Japão, o estudo aponta que 12% dos entrevistados – que incluem ilustradores, artistas de mangá, músicos e jornalistas – já registraram uma queda em sua renda diretamente associada ao advento das ferramentas de IA.
Do total de afetados, 9,3% reportaram uma redução nos ganhos que varia entre 10% e 50%. Outros 2,7%, uma fatia significativa, enfrentam uma queda superior à metade de sua renda anterior. Os dados, coletados de 25 mil criativos em todo o país, surgem em um momento de debates acalorados sobre ética, direitos autorais e o futuro do trabalho criativo.
Entre os motivos para a perda financeira, os profissionais citam a pressão de clientes que, assumindo o uso de IA no processo, passam a exigir prazos de entrega mais curtos e oferecem orçamentos menores. Em casos mais extremos, encomendas e comissões são canceladas, com os clientes optando por utilizar ferramentas de IA generativa para substituir totalmente o trabalho humano.
O cenário contrasta com a efervescência e o apelo profissional do setor criativo japonês. Pesquisas paralelas mostram que para muitos jovens, transformar a paixão por animes, mangás e entretenimento em uma carreira é um sonho forte. Em uma recente sondagem com estudantes de uma renomada escola de animação, mais de 60% declararam que buscaram a área justamente por querer trabalhar com o que amam.
Especialistas e associações de classe alertam que a velocidade da adoção da IA tem superado a capacidade de regulação e proteção legal. A falta de clareza sobre o uso de obras protegidas para treinamento de algoritmos e a inexistência de mecanismos justos de compensação são apontadas como questões centrais que precisam ser urgentemente enfrentadas para garantir a sustentabilidade da indústria cultural.
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