Usina de Kashiwazaki-Kariwa pode retomar operação em janeiro, após 14 anos parada.

TEPCO conclui processo para reinício de reator nuclear, o primeiro desde o acidente de Fukushima

Usina de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, pode voltar a operar em janeiro após aprovação da assembleia de Niigata

A Tokyo Electric Power Company Holdings Inc. (TEPCO) completou, nesta segunda-feira, o processo necessário para obter o consentimento local para reiniciar uma usina nuclear pela primeira vez desde o acidente de Fukushima Daiichi, em 2011. A data de 20 de janeiro é a cotada para religar um reator na Usina Nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, localizada na província de Niigata, a noroeste de Tóquio.

A Assembleia Provincial de Niigata aprovou, por maioria, uma moção de confiança no governador Hideyo Hanazumi, que havia se manifestado favorável à retomada das operações. Este voto efetivamente conclui o processo de consentimento local, permitindo que a TEPCO avance com seus planos. A empresa deve agora solicitar a avaliação final da Autoridade de Regulação Nuclear para a retomada.

A usina de Kashiwazaki-Kariwa, com seus sete reatores e considerada a maior central nuclear do mundo em capacidade de geração, está parada há anos. Suas unidades 6 e 7, reatores de água fervente avançados de 1356 MWe cada, estão inativos desde março e agosto de 2011, respectivamente, para inspeções periódicas. A usina não foi afetada pelo terremoto e tsunami de 2011 que causaram o desastre em Fukushima, mas já havia sido desligada anteriormente por danos causados por um forte terremoto na região de Niigata em 2007.

O reinício do reator 6 de Kashiwazaki-Kariwa tem um peso simbólico e econômico significativo. Será o primeiro reator operado pela TEPCO a voltar à ativa após o desastre que levou ao colapso de três reatores em sua usina de Fukushima Daiichi. A empresa estima que a reativação das duas unidades possa aumentar seus lucros anuais em cerca de 100 bilhões de ienes (aproximadamente 638 milhões de dólares). Após o religamento, a TEPCO realizará mais verificações de equipamentos antes de retomar a geração e transmissão de energia de forma comercial, com o objetivo de concluir o processo até o final de março.

O caminho para a retomada, no entanto, não foi simples. Em 2021, reguladores proibiram a TEPCO de reiniciar Kashiwazaki-Kariwa após descobrirem violações de segurança e a falsificação de registros de inspeção. A empresa também enfrenta ceticismo do público. Uma pesquisa recente citada pelo governador Hanazumi indicou que 61% dos residentes locais sentiam que as condições para a retomada ainda não haviam sido atendidas.

Este movimento ocorre no contexto da política energética nacional do Japão, que visa aumentar a participação nuclear na matriz elétrica para cerca de 20% até 2040. Antes do acidente de 2011, 54 reatores forneciam aproximadamente 30% da eletricidade do país. Até o momento, de 33 reatores operáveis, 14 já retomaram as atividades e outros 11 estão em processo de aprovação para reinício.

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