Beleza em alta: mercado de US$ 4 bilhões vira estratégia de crescimento para varejo sul-africano
Setor promissor atrai investimentos de grandes redes em meio a um cenário econômico desafiador e mudanças no comportamento do consumidor
O mercado de beleza e cuidados pessoais da África do Sul, avaliado em US$ 4,2 bilhões, transformou-se em um campo de batalha estratégico para os varejistas. Em um contexto de confiança do consumidor ainda frágil e economia lenta, este setor emerge como uma das poucas categorias com crescimento garantido, projetado para alcançar US$ 5,6 bilhões até 2031. Grandes redes de departamentos, supermercados e cadeias de vestuário estão ampliando agressivamente seus espaços dedicados a maquiagem, cuidados com a pele, cabelo e fragrâncias, que antes eram relegados a farmácias e lojas de nicho.
O movimento reflete uma busca por resiliência. Analistas apontam que, após um período prolongado de pressão financeira, o consumidor sul-africano dá os primeiros passos em uma fase de recuperação, com maior espaço para gastos discricionários. A convergência de cortes nas taxas de juros, inflação mais baixa e alívio nos preços dos combustíveis está criando o ambiente mais favorável para o crescimento da renda disponível em cinco anos. Neste cenário, a beleza se beneficia do chamado “efeito batom”, no qual itens de pequeno luxo permanecem acessíveis mesmo quando o orçamento aperta.
Dois modelos de negócio se destacam na corrida por market share. De um lado, está a aposta em experiências premium, como os “beauty halls” dedicados da rede Woolworths, que combinam marcas internacionais de luxo com linhas próprias. A divisão de beleza da empresa mais que dobrou sua receita em dois anos, superando 1 bilhão de rands (cerca de US$ 61 milhões). Do outro lado, a expansão agressiva de marcas próprias (private label) ganha força. Na rede Clicks, por exemplo, mais de 31% das vendas são de marcas próprias, com crescimento de mais de 20% apenas no primeiro semestre de 2025. Essas linhas oferecem maior margem aos varejistas e atendem a consumidores voltados para o valor.
As tendências de consumo ditam a inovação. A demanda por produtos naturais e orgânicos é um dos principais motores de crescimento, contribuindo com um adicional significativo para a taxa de expansão anual do mercado. Simultaneamente, o foco nos cuidados com a pele masculina e a premiumização – a busca por produtos de qualidade superior – ganham terreno, impulsionadas pela urbanização e pelo acesso à informação digital. O comércio eletrônico, com 45 milhões de usuários ativos de internet no país, tornou-se um canal essencial para descoberta de produtos e pesquisa pré-compra.
Embora o otimismo prevaleça, os riscos permanecem. A guerra de preços no varejo de bens de consumo começa a mostrar seus limites, pressionando margens sem garantir a fidelidade do cliente. Para analistas, 2026 deve recompensar principalmente operadores com modelos de negócio simples, preços baixos, gestão rigorosa de estoques e escala, como as redes Shoprite e Boxer. A recuperação de players em dificuldades, como o Pick n Pay, ainda é vista como longa e incerta. A capacidade de executar estratégias multicanal e alinhar ofertas aos diferentes perfis de consumidor será decisiva para quem quiser liderar neste bilionário campo de batalha da beleza.
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