Vendas duty-free em grandes lojas japonesas caem até 17% em dezembro.

Queda de turistas chineses derruba vendas em lojas duty-free do Japão

Tensões geopolíticas refletem no comércio, com queda de até 40% nas vendas para chineses em dezembro

As vendas livres de impostos para visitantes estrangeiros em grandes lojas de departamento do Japão registraram quedas bruscas em dezembro. Os dados preliminares divulgados pelas empresas apontam o aviso de viagem emitido pelo governo chinês como o principal motivo para a retração, que atingiu marcas de dois dígitos em algumas das maiores redes varejistas do país.

A Daimaru Matsuzakaya Department Stores, do grupo J Front Retailing, registrou uma queda de 16,6% nas vendas duty-free. A Isetan Mitsukoshi Holdings viu suas vendas nesse segmento caírem 14,2%, enquanto na Takashimaya a redução foi de 11,1%. A Hankyu Hanshin Department Stores, que não divulgou números exatos, informou que as vendas caíram cerca de 20%.

O impacto foi ainda mais severo em vendas diretas para clientes chineses. A H2O Retailing, controladora da Hanshin, informou que as vendas para chineses caíram aproximadamente 40% no mês, puxando as vendas totais do grupo para baixo. A situação foi atribuída à forte redução no número de voos vindos da China para o Aeroporto Internacional de Kansai, próximo a Osaka.

Essa retração no consumo dos visitantes internacionais freou o crescimento geral das lojas. A Takashimaya, por exemplo, que teve um aumento de 4,1% nas vendas totais em dezembro graças à demanda doméstica por roupas de inverno e alimentos, viu esse crescimento ser limitado justamente pela queda nas vendas duty-free.

A dependência do turista chinês se tornou uma vulnerabilidade para o varejo japonês. Antes da atual crise, os visitantes da China eram o maior mercado emissor para o Japão e os que mais gastavam, respondendo por cerca de um quinto da receita turística total do país, que foi de 8,1 trilhões de ienes no último ano. Um relatório do Japan Research Institute estima que, se as restrições persistirem, o Japão pode perder até 1,2 trilhão de ienes em receita turística somente neste ano.

A desaceleração começou em novembro, após o governo chinês emitir um conselho para que seus cidadãos evitassem viajar ao Japão. O aviso foi uma resposta a comentários da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um possível conflito no Estreito de Taiwan. Além do alerta, a China também ordenou que companhias aéreas reduzissem o número de voos para o Japão até março, resultando no cancelamento de mais de 40% dos voos programados para dezembro.

As empresas demonstram preocupação com o futuro, especialmente com a aproximação do feriado do Ano Novo Lunar chinês, em fevereiro, período que tradicionalmente registra uma alta demanda por viagens à Japão. Executivos do setor afirmam que estão monitorando a situação de perto.

Apesar do impacto negativo no varejo voltado para estrangeiros, a demanda doméstica japonesa permanece resiliente, ajudando a amortecer parte dos efeitos. A diversificação do perfil do turista, com maior atração de visitantes de outros países como Coreia do Sul e do Sudeste Asiático, é vista como uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de um único mercado.

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