Fusão escolar no Japão gera polêmica por nome associado a avião kamikaze
Proposta ‘Ohka Middle School’, em referência às flores de cerejeira, reacorda memória de arma suicida da Segunda Guerra Mundial.
Um comitê formado para batizar uma nova escola em Omuta, província de Fukuoka, se vê no centro de uma controvérsia histórica. A fusão das escolas Hakko e Amagi, prevista para 2027, motivou a busca por um novo nome que representasse a união. Após receber 340 sugestões da comunidade, o comitê recomendou à secretaria municipal de educação o nome “Ohka Middle School”, escrito com os kanjis 桜花 (flor de cerejeira).
A escolha, à primeira vista, parecia poética e apropriada. As cerejeiras são um símbolo tradicional do ciclo escolar no Japão, presentes em cerimônias de formatura e ingresso na primavera. No entanto, o comitê não levou em conta que “Ohka” foi também o nome dado ao MXY-7 Ohka, uma aeronave kamikaze utilizada pelo Japão Imperial na Segunda Guerra Mundial. A arma, essencialmente uma bomba voadora tripulada, era lançada de um bombardeiro e direcionada por um piloto em missão suicida.
A revelação gerou protestos. Doze grupos civis de Omuta contactaram a secretaria de educação, argumentando que o nome é inadequado para uma instituição de ensino. Eles destacam que a área não tem tradição local associada às cerejeiras que justifique a escolha. O presidente do comitê, que também é diretor de uma das escolas, pediu desculpas e admitiu que o grupo não tinha conhecimento da sobreposição com o avião de guerra durante o processo de seleção.
Existe uma escola homônima em Tóquio, fundada há 134 anos, que usa um kanji diferente para “flor” (華). A secretaria de educação de Omuta anunciou que discutirá o assunto novamente em sua próxima reunião. A decisão final sobre o nome da nova escola, que deve abrir em 2027, será tomada em fevereiro.
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