Monge budista no Tinder? Encontro revela particularidades do namoro e da religião no Japão.

“Desculpe se eu cheirar a incenso”: a curiosa história do encontro entre uma jornalista e um monge no Japão

Em busca de um novo romance, Asami Oshima mergulhou no mundo dos aplicativos de namoro e descobriu uma realidade inesperada: monges budistas também procuram parceria

A repórter japonesa Asami Oshima, cansada de não encontrar potenciais parceiros no ambiente de trabalho, decidiu explorar o universo dos aplicativos de namoro. O que ela não esperava era que, entre as inúmeras conversas, conheceria B-san, um homem gentil e comunicativo cujo perfil não revelava sua profissão. A surpresa veio quando, ao conversarem sobre seus planos para o dia, ele mencionou: “Tenho um serviço memorial agendado”. A frase, cuidadosamente construída, não indicava que ele *iria* a uma cerimônia, mas que a *tinha agendada* — um indício sutil de que se tratava de um compromisso profissional.

B-san, como descobriu Asami, era um monge budista. No Japão, ao contrário de muitas tradições budistas ao redor do mundo, os monges não são obrigados ao celibato. Eles podem namorar, se casar e ter filhos, integrando a vida religiosa à vida pessoal de uma forma única. E, como qualquer outra pessoa na sociedade moderna, alguns recorrem aos aplicativos para conhecer novas pessoas. Ele deixou claro que não estava no app para recrutar fiéis ou pregar sua religião; era apenas um homem interessado em estabelecer uma conexão genuína.

O primeiro encontro, marcado para um restaurante de yakiniku (churrasco japonês), quase foi cancelado quando B-san foi chamado para realizar um ritual em um velório — um dos imprevistos de se envolver com alguém cuja vida gira em torno do templo. Ao se dirigir ao encontro remarcado, ele enviou uma mensagem que ficou na memória de Asami: “Estou indo para o restaurante direto do trabalho, então peço desculpas se eu cheirar a incenso”.

No encontro, ele se mostrou exatamente como nas mensagens: sincero, interessante e fascinante. Conversaram sobre suas vidas, e B-san compartilhou naturalmente histórias sobre o templo e seu treinamento. Em um momento especial, ele até fez uma previsão do destino para Asami, baseada no seu signo do zodíaco chinês.

O relacionamento, no entanto, não evoluiu para um romance. Eles saíram algumas outras vezes, sempre em restaurantes de yakiniku ou comida tailandesa, já que B-san era um tanto exigente com a comida. Asami o considerava charmoso, bonito e uma boa companhia, mas refletiu sobre as implicações de um relacionamento sério. A vida de um monge é profundamente estruturada em torno dos serviços do templo, exigindo, por vezes, pernoites no local — frequentemente em alojamentos onde mulheres não são permitidas. É uma vocação vitalícia, que demanda da parceira uma adaptação total a esse estilo de vida, algo que Asami não conseguiu se imaginar fazendo.

A experiência com B-san levou a repórter a uma conclusão mais ampla sobre si mesma: os aplicativos de namoto, em geral, não são para ela. Acostumada a conhecer pessoas no ambiente de trabalho, onde observa o caráter delas ao longo do tempo, Asami sentiu que nos apps a lógica é invertida. A pressão de avaliar um potencial parceiro para um relacionamento surge desde a primeira mensagem, antes mesmo de se conhecerem de verdade. “A pergunta ‘Vamos nos tornar um casal ou não?’ pairou sobre nossas interações”, refletiu. Essa necessidade precoce de definir o futuro, sem o conhecimento orgânico da pessoa, fez com que vários romances em potencial, incluindo o com B-san, não desabrochassem.

A história de Asami e B-san é mais do que um simples relato de um encontro incomum. Ela serve como uma janela para as complexidades do namoro moderno no Japão, o encontro entre tradição e contemporaneidade, e as escolhas pessoais que definem nossas trajetórias amorosas.

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