Vandalismo em bambus ameaça paisagem do Fushimi Inari em Kyoto
Gravações de nomes e iniciais por visitantes causam danos permanentes à vegetação do famoso santuário
O santuário Fushimi Inari Taisha, em Kyoto, uma das paisagens mais distintamente belas do Japão, está enfrentando um problema crescente de vandalismo que está arruinando a experiência visual para todos. Visitantes estão gravando seus nomes, iniciais, datas e até marcas de coração nos bambus ao longo dos caminhos que serpenteiam pela montanha, causando danos que podem levar as árvores a murchar, apodrecer e até tombar.
Os danos são especialmente graves perto do sub-santuário Fushimi Kandara, localizado a meio caminho da montanha. Akira Nakamura, um residente local de 79 anos que possui um terreno adjacente à trilha herdado por gerações em sua família, relata que mais de cem árvores já foram danificadas em sua propriedade. Ele expressa frustração com a situação, que considera um problema de moralidade, e teme que, se a conduta persistir, será necessário envolver as autoridades policiais.
Uma grande quantidade do grafite parece ser de turistas estrangeiros, a julgar pelos nomes e scripts não japoneses encontrados, incluindo inscrições em inglês, coreano e chinês. No entanto, também foram identificados vandalismos em japonês, indicando que o problema não se limita a visitantes internacionais. A prática não apenas desfigura a beleza natural, como também cria um perigo de efeito de contágio, onde pessoas pouco consideradas podem se sentir encorajadas a adicionar suas próprias marcas, piorando o cenário.
Este não é um problema isolado do Fushimi Inari. Do outro lado de Kyoto, no distrito de Arashiyama, famoso por seus bosques de bambu, um incidente similar ocorreu no ano passado, com aproximadamente 350 árvores tendo sido gravadas. As autoridades locais, em resposta, adotaram medidas como cobrir as marcas com fita verde ou, em casos mais drásticos, cortar completamente conjuntos de árvores para reduzir os alvos ao alcance dos visitantes.
Coordenar medidas em grande escala no Fushimi Inari, no entanto, é particularmente desafiador. As áreas afetadas estão espalhadas por pequenos lotes de terra de propriedade privada, o que dificulta uma ação uniforme de reparo, instalação de placas de aviso ou outras iniciativas por parte do governo municipal. O terreno é majoritariamente privado, herdado por famílias ao longo de gerações, e os proprietários clamam por mais respeito ao patrimônio natural e cultural.
O aumento do vandalismo coincidiu com o retorno do fluxo intenso de turismo após a pandemia, levantando questões sobre o comportamento dos visitantes em destinos internacionais populares. Proprietários e administradores do local fazem um apelo simples: as lembranças da visita devem ser guardadas no coração e na mente, e não esculpidas na frágil casca do bambu que compõe a paisagem sagrada e histórica de Kyoto.
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