Nascida em Kawaguchi, província de Saitama, e radicada em São Paulo desde os 10 anos, Luana Asuka Kawamura, 23, define-se de um jeito que muita gente não entende à primeira: “não sou japonesa nem brasileira, sou nikkei”. Neta de japoneses, ela tem aparência de japonesa, mas foi no convívio com a comunidade nikkei brasileira que encontrou o que chama de seu verdadeiro lugar.
Filha de nipo-brasileiros que vieram ao Japão como dekasseguis, Luana cresceu ouvindo que a família um dia voltaria ao Brasil. Estudou em escola pública japonesa até os 10 anos, falava japonês melhor que português e nunca sofreu bullying, mas sentia uma distância silenciosa nas relações com os colegas. “Mesmo vivendo no Japão, não conseguia me ver como japonesa completa”, conta.
A mudança para o Brasil foi encarada sem resistência. Em Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, foi a única aluna de origem asiática da turma e se esforçou para se encaixar: aprendeu português em dois anos e até evitava fazer franja, hábito japonês que a destacava. Hoje cursa Letras (inglês e português) na FMU e mora em um dormitório da associação provincial de Saga, no bairro da Liberdade.
Nos fins de semana, dedica-se ao voluntariado na Bunkyo, a associação que representa a comunidade nikkei paulista. No Festival Cultural da entidade, ela recepciona visitantes e reencontra o sentimento de pertencimento. Para quem vive entre duas culturas, a história de Luana lembra que identidade não é escolher um lado, mas achar onde se pode ser inteiro.
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Fonte: ganas 開発メディア — resumo original em português.
Imagem de destaque: reprodução/ganas 開発メディア.

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