O Japão registrou o maior número de residentes estrangeiros da história, mesmo com o crescimento de sentimentos anti-imigração no país. Segundo a Agência de Serviços de Imigração, em junho deste ano havia cerca de 4,28 milhões de estrangeiros vivendo no Japão, excluindo visitantes de curta duração. O número representa um aumento de 156 mil pessoas em relação ao ano anterior e equivale a aproximadamente 3,5% da população total japonesa.
O crescimento ocorre porque o país enfrenta uma crise demográfica: a população diminui mais de 900 mil pessoas por ano, e a escassez de mão de obra atinge desde setores especializados até serviços gerais. Especialistas apontam que nem o uso de inteligência artificial e robôs, nem o incentivo à participação de mulheres e idosos no mercado de trabalho têm sido suficientes para suprir a demanda. Por isso, empresas japonesas pressionam o governo por políticas mais abrangentes de apoio aos estrangeiros.
Por outro lado, a pressão política tem levado a um endurecimento das regras. No mês passado, o governo passou a exigir renda anual mais alta e fluência em japonês para quem busca residência permanente. O partido Sanseito, que se autodenomina “Japão Primeiro” e classifica a imigração como “invasão silenciosa”, ganhou força nas eleições do ano passado. Nas redes sociais, circulam informações falsas de que estrangeiros recebem muitos benefícios sociais e tornam as ruas inseguras.
Para quem já vive no Japão, as mudanças podem dificultar a obtenção da residência permanente e desestimular a permanência de longo prazo. Especialistas observam que o aumento de residentes estrangeiros neste ano foi menor que no anterior — cerca de 300 mil contra 360 mil —, possivelmente já reflexo das novas exigências. Ainda assim, a projeção é que, devido à falta de trabalhadores, o número de estrangeiros no país chegue a 10 milhões na década de 2040.
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Fonte: アラブニュース — resumo original em português.
Imagem de destaque: reprodução/アラブニュース.
